Banner na cor vermelha com a logo do Ceilândia em Alerta centralizada na cor branca.

Fux rebate críticas no STF e afirma que bets devem ser proibidas no Brasil

Ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), vestindo toga preta, camisa branca e gravata azul, aparece sentado em uma cadeira vermelha, lendo documentos durante uma sessão de julgamento, com um microfone à sua frente.
Ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, durante atividade institucional. Magistrado conduziu audiência pública sobre os impactos da proibição das apostas online no Brasil.

Durante audiência pública sobre a proibição das apostas online, ministro defendeu o debate jurídico, reconheceu os danos sociais dos jogos e respondeu a questionamentos sobre a escolha dos participantes.

Ceilândia em Alerta – O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), rebateu nesta terça-feira (3) as críticas à organização de uma audiência pública sobre a proibição das apostas online no Brasil, conhecidas como bets. Durante a abertura dos trabalhos, o magistrado afirmou ter a percepção de que essas atividades devem ser proibidas, mas ressaltou a necessidade de examinar os aspectos jurídicos e econômicos da medida provisória editada pelo governo federal.

A audiência foi convocada para discutir os impactos da Medida Provisória nº 1.394/2026, publicada em setembro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A norma proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa em todo o território nacional, incluindo apostas esportivas e jogos online.

A iniciativa do governo foi contestada por entidades ligadas ao setor, que recorreram ao Supremo alegando possíveis violações à Constituição e prejuízos aos contratos e às autorizações anteriormente concedidas.

Fux, relator de uma das ações que questionam a medida, explicou que a realização da audiência não representa uma posição favorável às empresas de apostas. Segundo o ministro, o objetivo é reunir informações técnicas para avaliar as consequências da proibição e os argumentos apresentados pelas diferentes partes.

Ministro reconhece danos sociais provocados pelas apostas

Ao responder às críticas, Fux lembrou que o Supremo já realizou audiências públicas sobre os impactos das apostas em novembro de 2024, quando especialistas e organizações apresentaram informações sobre os prejuízos relacionados ao endividamento, à saúde mental e à vulnerabilidade econômica.

O magistrado afirmou que esses problemas já são conhecidos pela Corte e foram considerados em manifestações anteriores sobre o tema.

Apesar de demonstrar uma percepção pessoal favorável à proibição, Fux destacou que o julgamento precisa considerar também a segurança jurídica, os contratos existentes e os efeitos econômicos da interrupção das atividades.

A discussão envolve uma questão central: até que ponto o governo federal pode encerrar, por meio de medida provisória, um setor que anteriormente recebeu autorização para funcionar mediante regras estabelecidas em lei.

Para a Advocacia-Geral da União (AGU), o poder público possui competência para rever políticas de exploração de apostas quando surgem evidências de prejuízos à saúde, à economia das famílias e a outros direitos fundamentais.

Já as entidades empresariais argumentam que a suspensão das atividades compromete investimentos, contratos e empregos, além de gerar insegurança para os operadores que atuavam com autorização governamental.

Maioria dos participantes da audiência é contrária à proibição

A composição da audiência pública provocou questionamentos porque grande parte dos convidados representa organizações que defendem a continuidade das apostas.

Inicialmente, a relação incluía principalmente clubes de futebol, associações empresariais e entidades relacionadas ao mercado de jogos.

A AGU solicitou a ampliação da participação, argumentando que a presença predominante de representantes do setor poderia comprometer o equilíbrio das discussões.

Após o pedido, Fux incluiu representantes dos ministérios da Saúde e da Justiça e Segurança Pública, além da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), do Comitê Paralímpico do Brasil e de outras organizações.

Com as alterações, a audiência passou a reunir 34 instituições e entidades.

Mesmo assim, levantamento divulgado pela CNN Brasil apontou que pelo menos 22 participantes já haviam manifestado posições contrárias à medida provisória que proibiu as bets.

A programação inclui representantes de clubes como Flamengo, Corinthians, Fluminense, São Paulo e Cruzeiro, além da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), órgãos governamentais e entidades econômicas.

Governo aponta aumento de problemas de saúde e endividamento

Na defesa da proibição, a AGU apresentou dados sobre os efeitos das apostas na população brasileira.

Segundo informações oficiais citadas pelo órgão, os registros do Sistema Único de Saúde relacionados ao jogo patológico e a problemas com apostas cresceram 140% entre 2018 e 2025.

A Advocacia-Geral da União também mencionou estudo segundo o qual as apostas retiraram aproximadamente R$ 62,5 bilhões dos orçamentos familiares brasileiros em 2025.

Para o governo, esses indicadores demonstram que a regulamentação anterior não foi suficiente para evitar prejuízos sociais e econômicos.

O setor empresarial, por sua vez, sustenta que a proibição pode estimular a migração dos apostadores para plataformas clandestinas, dificultando a fiscalização e a proteção dos consumidores.

Essas posições serão consideradas no processo, mas nenhuma delas determina antecipadamente a decisão que será tomada pelo Supremo.

STF ainda não decidiu sobre constitucionalidade da medida

A audiência pública integra a análise de ações apresentadas por entidades do setor de apostas, entre elas a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL).

As organizações solicitam a suspensão da medida provisória e defendem a manutenção das regras que permitiam a exploração das apostas de quota fixa.

Além do julgamento no STF, a medida provisória precisa ser examinada pelo Congresso Nacional dentro do prazo constitucional para continuar produzindo efeitos de maneira permanente.

O debate envolve interesses econômicos, financiamento esportivo, proteção dos consumidores e saúde pública.

A declaração de Luiz Fux sobre sua percepção favorável à proibição não constitui uma decisão judicial definitiva. O ministro ainda deverá avaliar os argumentos apresentados na audiência e os elementos jurídicos das ações em tramitação.

Enquanto isso, a discussão sobre as bets permanece no centro do debate nacional, especialmente diante das consequências do endividamento e da dependência em jogos de azar para milhares de famílias brasileiras.


Fonte: Agência Brasil

Fontes complementares: Supremo Tribunal Federal | Advocacia-Geral da União

Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

Compartilhar:

Deixe um comentário

Mais Notícias