Novo planejamento estabelece medidas para enfrentar crises hídricas, combater a poluição dos rios e prevenir alagamentos no Distrito Federal.
Ceilândia em Alerta – O Distrito Federal aprovou uma nova versão do Plano de Gerenciamento Integrado de Recursos Hídricos (PGIRH-DF), documento que orientará a utilização, a conservação e a distribuição da água nas próximas duas décadas. A atualização ocorre pela primeira vez desde 2012 e estabelece 28 ações de gestão e oito medidas estratégicas de segurança hídrica, com investimentos estimados em aproximadamente R$ 691 milhões.
A terceira edição do plano foi aprovada em 16 de setembro de 2026 pelo Conselho de Recursos Hídricos do Distrito Federal (CRH-DF). O trabalho foi coordenado tecnicamente pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa), com a participação de instituições responsáveis pela gestão ambiental e dos recursos hídricos.
O planejamento considera informações mais recentes sobre chuvas, vazão dos rios, crescimento urbano, mudanças climáticas e consumo de água. Também incorpora dados da crise hídrica de 2016 e 2017, quando a população do DF enfrentou restrições no abastecimento.
A proposta busca preparar a capital federal para períodos de escassez, melhorar a qualidade dos mananciais e reduzir os riscos provocados por enchentes e alagamentos.
Rios Melchior, Sobradinho e Alagado estão entre as prioridades
Uma das principais mudanças é a definição de metas de qualidade para os rios do Distrito Federal, considerando as características e os usos previstos para cada curso d’água.
Entre os mananciais que exigem atenção estão os rios Melchior, Sobradinho e Alagado. No caso do Melchior, o planejamento prevê estudos para identificar fontes de poluição e orientar medidas de recuperação ambiental.
A situação do rio Melchior merece atenção especial por sua importância para a região de Ceilândia e outras localidades próximas. A bacia hidrográfica enfrenta problemas relacionados à poluição e à pressão das atividades urbanas.
Alba Ramos, integrante do Comitê da Bacia Hidrográfica dos Afluentes do Rio Paranaíba no DF, avalia que a atualização representa um avanço no conhecimento sobre a disponibilidade e a qualidade da água.
Entretanto, ela alerta que a definição de metas precisa ser acompanhada de responsabilidades, investimentos e prazos concretos. Sem essas condições, os objetivos de recuperação ambiental podem permanecer apenas no planejamento.
O documento também prevê a conclusão dos planos de recursos hídricos das bacias dos rios Preto e Maranhão. Atualmente, apenas a bacia dos afluentes do Paranaíba possui um plano aprovado no Distrito Federal.
Para elaborar os dois documentos, o planejamento estima R$ 540 mil, com prazo sugerido de contratação de até 12 meses.
Plano prevê regras para evitar novas crises de abastecimento
Outra prioridade é o Alto Descoberto, região estratégica para o abastecimento de água da população e para as atividades agrícolas.
O novo plano propõe a criação de um marco regulatório para estabelecer antecipadamente regras de distribuição da água em períodos de escassez.
A medida pretende evitar que decisões sobre o compartilhamento dos recursos hídricos sejam tomadas somente quando uma crise já estiver instalada.
Segundo Carlo Renan, secretário-geral do Comitê da Bacia Hidrográfica dos Afluentes do Rio Paranaíba, é necessário estabelecer critérios transparentes para atender ao abastecimento público, à agricultura e aos demais usuários.
A previsão é que essas regras sejam estruturadas nos próximos quatro anos.
O planejamento também incentiva a proteção de nascentes, a recuperação da vegetação e a conservação do solo por meio de iniciativas como o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA).
Outra proposta é desenvolver projetos-piloto de reúso de esgoto tratado em atividades que não necessitam de água potável, reduzindo a pressão sobre os mananciais.
Investimentos incluem Lago Paranoá e Corumbá IV
O Plano de Segurança Hídrica reúne oito ações estratégicas com investimentos estimados em R$ 691 milhões.
Entre os principais projetos estão a ampliação da captação de água no Lago Paranoá, estimada em R$ 523,25 milhões, e a implantação de infraestrutura para aproveitamento integral da água de Corumbá IV, com previsão de R$ 150,93 milhões.
Também estão previstas medidas para melhorar a eficiência da irrigação em Brazlândia, ampliar o reúso de água e desenvolver estudos e intervenções contra alagamentos.
Os valores são estimativas de planejamento e não significam que todos os recursos já estejam disponíveis ou que as obras tenham sido integralmente contratadas. Parte dos cálculos também pode incluir intervenções já executadas, uma vez que não havia dados suficientes para descontá-las.
Além dessas iniciativas, o plano prevê R$ 12,83 milhões para ações de gestão com custos estimados, sob responsabilidade do sistema de gerenciamento dos recursos hídricos.
Execução e fiscalização serão os principais desafios
O documento estabelece metas, indicadores, responsabilidades e prazos para acompanhar a implementação das propostas. Um manual operativo organiza as prioridades para os primeiros seis anos, enquanto o planejamento geral possui horizonte de até 20 anos.
A atualização representa um avanço institucional, mas sua efetividade dependerá da destinação de recursos, da articulação entre órgãos públicos e da participação dos comitês de bacia.
Para os moradores do Distrito Federal, especialmente das regiões que enfrentam problemas de abastecimento, poluição de córregos e alagamentos, o resultado deverá ser medido pela melhoria concreta das condições ambientais e da segurança hídrica.
A aprovação do plano, portanto, marca o início de uma nova etapa de planejamento. O desafio agora será transformar as propostas em ações capazes de proteger os rios, garantir água de qualidade e reduzir os riscos de novas crises no DF.
Fonte: Brasil de Fato
Fonte complementar: Agência Brasília



