Bad Bunny transformou o show do intervalo do Super Bowl 60 em uma celebração explícita da latinidade e da cultura porto-riquenha, usando o maior palco do entretenimento esportivo dos Estados Unidos para afirmar identidade, língua e memória histórica. A apresentação, marcada por símbolos culturais, mensagens políticas e participações especiais, também provocou reação do presidente Donald Trump.
No maior evento esportivo dos Estados Unidos, Bad Bunny fez muito mais que um show. Levou a América Latina pro centro do palco, cantou em espanhol, exaltou nossa cultura e ainda mandou recado contra o governo Trump. Num país que persegue imigrantes e tenta apagar a nossa… pic.twitter.com/gGHvol5yG5
— Fernanda Melchionna (@fernandapsol) February 9, 2026
A reportagem é da agência Reuters, que acompanhou o espetáculo realizado no domingo, no Levi’s Stadium, em Santa Clara, Califórnia, e destacou o impacto histórico da performance para a música latina no evento de maior audiência da televisão norte-americana.
Um tributo visual e musical a Porto Rico
Vestido com um terno branco, Bad Bunny — nome artístico de Benito Antonio Martínez Ocasio — abriu o show com “Tití Me Preguntó”, caminhando por cenários que retratavam o cotidiano porto-riquenho, com agricultores usando chapéus tradicionais pava, jogadores de dominó e boxeadores. Desde os primeiros minutos, a apresentação deixou claro que o eixo central seria a valorização da cultura da ilha.
O ritmo se intensificou quando o espetáculo migrou para um segundo palco batizado de “La Casita”. Ali, o cantor interpretou “Yo Perreo Sola”, “Safaera” e “Party”, enquanto celebridades como Pedro Pascal, Karol G, Cardi B e Jessica Alba foram vistas dançando na plateia.
Em um dos momentos mais teatrais do show, Bad Bunny atravessou o teto de “La Casita” durante “Voy a Llevarte Pa’ PR” e seguiu para um caminhão branco, onde dançarinos apresentaram um medley em homenagem às origens do reggaeton, com trechos de “Gasolina”, de Daddy Yankee, “Dale Don Dale”, de Don Omar, e o sucesso “EoO”.
Afirmação pessoal e raízes do reggaeton
O espetáculo também foi marcado por declarações diretas do artista. Em um dos trechos centrais da apresentação, Bad Bunny afirmou: “Se eu estou aqui no Super Bowl 60 é porque nunca deixei de acreditar em mim mesmo”, enquanto violinos conduziam a transição para a música “Monaco”.
A estrutura do show destacou o reggaeton como expressão cultural com história e pioneiros, indo além do entretenimento pop. Ao trazer Daddy Yankee e Don Omar para o centro do repertório, ainda que em forma de homenagem musical, a apresentação reforçou a ideia de continuidade e resistência cultural.
Lady Gaga e Ricky Martin ampliam o impacto simbólico
Um casamento encenado, exibido nas telas do estádio com a presença da icônica La Rana Concho, abriu espaço para a participação surpresa de Lady Gaga. A cantora apresentou uma versão em salsa de “Die With A Smile” e dançou com Bad Bunny ao som de “BAILE INoLVIDABLE”, em um dos momentos mais celebrados da noite.
Na sequência, Bad Bunny cantou “NUEVAYol”, enquanto imagens de uma criança e sua família assistindo à cerimônia do Grammy eram exibidas, em referência ao álbum “Debí Tirar Más Fotos”, vencedor do prêmio de Álbum do Ano — a primeira vez que a honraria foi concedida a um trabalho integralmente em espanhol.
Ricky Martin também participou do espetáculo, surgindo no palco durante “LO QUE LE PASÓ A HAWAii”. Logo depois, Bad Bunny ergueu a bandeira de Porto Rico e interpretou “El Apagón”, com o estádio tomado por efeitos de luz antes da sequência com “CAFé CON RON”.
Mensagem política e reação de Donald Trump
A escolha de Bad Bunny para liderar o show do intervalo gerou críticas do presidente Donald Trump e de setores conservadores, em razão das posições públicas do cantor contra a política de imigração dos Estados Unidos.
No domingo, Trump atacou diretamente a apresentação nas redes sociais, classificando o show como “absolutamente terrível”. A reação presidencial contrastou com a mensagem exibida no estádio durante o encerramento do espetáculo: “A única coisa mais poderosa do que o ódio é o amor”.
Em outro momento simbólico, Bad Bunny gritou “Deus abençoe a América!” enquanto citava países do continente americano, acompanhados por um desfile de bandeiras, reforçando a ideia de uma América plural, diversa e integrada.
Encerramento e consagração histórica
O show foi encerrado com “DtMF”, faixa-título do álbum “Debí Tirar Más Fotos”, consolidando uma apresentação que combinou música, teatralidade e afirmação cultural. A performance foi tratada pela Reuters como um marco para a música latina no Super Bowl, sucedendo a apresentação recordista de Kendrick Lamar no ano anterior.
Dentro de campo, o Seattle Seahawks venceu o New England Patriots por 29 a 13, encerrando uma noite em que o futebol dividiu protagonismo com um espetáculo que reposicionou o espanhol, o reggaeton e a cultura latina no centro do entretenimento global.
Com informações do Brasil247
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