China pretende trazer parque industrial zero carbono com investimentos de US$ 1 bilhão ao Brasil

CA – Segundo informações divulgadas pelo Brasil 247, a empresa chinesa Envision planeja investir US$ 1 bilhão, cerca de R$ 5,1 bilhões, na implantação de um complexo industrial de baixo carbono no Brasil. O empreendimento deverá ser voltado à produção de combustível sustentável de aviação (SAF), hidrogênio verde e amônia.

O projeto é inspirado em um parque industrial instalado na Mongólia Interior, na China, que reúne produção industrial, geração de energia renovável, armazenamento e mecanismos de gestão das emissões de carbono.

O investimento brasileiro foi anunciado em maio de 2025, durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Pequim. Na ocasião, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e o governo federal apresentaram o empreendimento como um dos resultados da agenda presidencial na China.

Apesar do anúncio, mais de um ano depois ainda não há definição sobre a localização do complexo, o início das obras ou o cronograma para o começo das operações.

Modelo desenvolvido na China

O parque industrial da Envision na Mongólia Interior foi inaugurado em 2022 e reúne fábricas de baterias e turbinas eólicas. O complexo foi reconhecido pelo Fórum Econômico Mundial como o primeiro parque industrial do mundo com modelo de emissões líquidas zero.

A proposta combina diferentes tecnologias para reduzir e compensar as emissões geradas pela atividade industrial. Entre elas estão fontes renováveis de energia, sistemas de armazenamento e mecanismos de gerenciamento de carbono.

O conceito de “zero carbono”, entretanto, não significa que as fábricas não emitam dióxido de carbono.

O modelo utilizado é baseado no conceito de net-zero, ou emissões líquidas zero. Nesse sistema, as emissões produzidas pelas atividades industriais são contabilizadas em conjunto com a geração de energia renovável e outras medidas de compensação.

Conceito recebe ressalvas

O professor Gang He, especialista em política energética e climática da Faculdade Baruch, nos Estados Unidos, considera relevante a integração entre energia limpa, armazenamento e demanda industrial.

O especialista, porém, aponta limitações no modelo. Uma delas está relacionada ao período utilizado para calcular o equilíbrio das emissões.

Quando a contabilização é feita anualmente, por exemplo, uma indústria pode utilizar energia de fontes fósseis em determinados momentos e compensar essas emissões posteriormente com energia renovável produzida em outros períodos.

Segundo o especialista, uma avaliação mais rigorosa exigiria o acompanhamento das emissões em intervalos menores, como hora a hora.

Certificação chinesa

As próprias regras chinesas para certificação de parques industriais “net-zero” não exigem que as emissões sejam literalmente zeradas.

Segundo a regulamentação da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China, o cálculo considera as emissões de carbono por unidade de energia consumida. Para obter a certificação, o resultado precisa ficar aproximadamente 90% abaixo da média nacional.

O modelo também considera outros indicadores, embora parte deles tenha caráter orientativo e possa ser dispensada mediante justificativa.

Mesmo com essas características, o governo chinês considera os parques industriais de baixa emissão uma parte importante de sua estratégia climática. A China estabeleceu como metas atingir o pico das emissões de carbono até 2030 e alcançar a neutralidade de carbono até 2060.

Projeto brasileiro ainda está em avaliação

No Brasil, a Envision pretende adaptar o modelo para a produção de SAF, hidrogênio verde e amônia.

A empresa ainda avalia onde o complexo poderá ser instalado. Entre os critérios considerados estão a disponibilidade de fontes renováveis, infraestrutura logística, ambiente industrial, oferta de mão de obra e estabilidade política de longo prazo.

A companhia informou que pretende divulgar novos detalhes somente quando etapas concretas do empreendimento forem alcançadas.

A ausência de uma localização definida significa que, apesar do anúncio do investimento, ainda não existe previsão oficial para o início das obras ou das operações.

Brasil tem vantagem na transição energética

Especialistas apontam que o Brasil possui algumas vantagens para receber um empreendimento desse tipo. O país conta com uma matriz elétrica relativamente limpa e possui experiência consolidada na produção de biocombustíveis.

Essas características podem favorecer a produção de combustíveis sustentáveis e outras tecnologias relacionadas à transição energética.

Por outro lado, a experiência chinesa está apoiada em políticas industriais coordenadas, infraestrutura em larga escala e cadeias produtivas desenvolvidas rapidamente, características que podem ser mais difíceis de reproduzir no Brasil.

Caso o projeto avance, o empreendimento poderá ampliar a presença da Envision no mercado brasileiro e integrar o país à estratégia internacional da companhia de expansão de tecnologias relacionadas à energia renovável e à descarbonização industrial.

Nota de transparência: Esta matéria foi reescrita com auxílio de inteligência artificial, a partir das informações divulgadas pelas fontes mencionadas, e passou por revisão editorial.

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