Ceilândia em Alerta — A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) uma operação para investigar o financiamento do filme “Dark Horse”, produção cinematográfica sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Entre os alvos de mandados de busca e apreensão estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a produtora Karina Gama. A operação também busca provas relacionadas a outras 20 pessoas investigadas no caso.
A investigação está sob relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e ganhou novo impulso após o ministro André Mendonça homologar, na quarta-feira (9), o acordo de colaboração premiada do empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”.
Delação aponta repasses de Daniel Vorcaro
Segundo o relato apresentado pelo colaborador, ele teria atuado a mando do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, na operacionalização de transferências financeiras ao exterior. Parte dos recursos teria sido destinada a atender pedidos relacionados à produção do filme.
As investigações também consideram informações divulgadas em reportagens do Intercept Brasil. Segundo o material, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria solicitado recursos a Vorcaro para viabilizar a produção cinematográfica.
Os valores teriam sido enviados ao Havengate Development Fund, fundo de investimentos sediado nos Estados Unidos e administrado pelo advogado Paulo Calixto, que tem ligação com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Sete transferências somaram US$ 12,3 milhões
Em depoimento prestado à Procuradoria-Geral da República (PGR) em agosto, “Mineiro” relatou que realizou sete operações financeiras no exterior classificadas como “subscrição de cotas” do fundo.
De acordo com os documentos apresentados pelo colaborador à PF e ao Ministério Público, as operações ocorreram entre janeiro e setembro de 2025 e totalizaram US$ 12,333 milhões, aproximadamente R$ 62,8 milhões pela cotação mencionada no material.
A documentação incluiria comprovantes bancários e trocas de e-mails. Uma das informações analisadas pelos investigadores é que a última transferência identificada, de US$ 1,666 milhão, teria sido realizada em setembro de 2025.
Plano previa mais recursos
Ainda segundo o depoimento, o planejamento atribuído a Vorcaro previa o envio de aproximadamente US$ 24 milhões, distribuídos em mais de dez operações até janeiro de 2026.
As transferências seriam respaldadas por um contrato formalizado como Letter of Agreement. O plano, entretanto, não teria sido executado integralmente após a prisão preventiva de Vorcaro, em novembro de 2025.
O colaborador também relatou ter realizado pagamentos no exterior por meio da empresa Entre Investments and Arbitrage Ltd., sediada nas Bahamas.
PF investiga destino dos recursos
Uma das linhas de investigação busca esclarecer se os valores enviados ao exterior foram integralmente utilizados na produção de “Dark Horse” ou se parte do dinheiro teria sido empregada para outras finalidades.
Os investigadores também apuram a possibilidade de recursos movimentados por empresas sediadas em paraísos fiscais terem sido direcionados ao fundo Havengate ou a pessoas ligadas ao núcleo político da família Bolsonaro.
Até o momento, essas hipóteses fazem parte da investigação e não representam conclusão definitiva sobre eventual desvio ou irregularidade na utilização dos recursos.
Produtora afirma que contas são regulares
A assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que os esclarecimentos e o balanço financeiro da produção são apresentados diretamente pela produtora Go Up.
A empresa contratou uma auditoria privada que, em junho, declarou ter identificado regularidade nas contas do filme. Segundo a produtora, o custo total da obra chegou a R$ 75 milhões e foi integralmente financiado pelo fundo Havengate.
Apesar disso, as notas fiscais e os comprovantes detalhados dos gastos não foram disponibilizados publicamente, segundo a reportagem.
O advogado de Antonio Carlos Freixo Junior, Marco Petrelluzzi, informou que não comentará os detalhes da colaboração devido ao segredo de Justiça dos autos.
Fonte: Brasil 247, com informações do G1 e do Intercept Brasil.



