Ceilândia em Alerta — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca uma solução para a crise interna que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF), marcada por decisões divergentes sobre o comando da Polícia Federal e pelas investigações relacionadas ao Banco Master. Segundo reportagem de O Globo, Lula conversou com pelo menos dois ministros da Corte sobre o agravamento da situação.
De acordo com interlocutores citados pelo jornal, o presidente vinha defendendo que o ministro Edson Fachin assumisse a condução institucional do impasse. A avaliação compartilhada por Lula com auxiliares e integrantes do STF é de que uma demora na reação poderia enfraquecer a autoridade do presidente da Corte diante dos demais ministros.
Apesar das articulações, aliados afirmam que Lula entende que uma solução definitiva para o conflito deve ser construída pelo próprio Supremo.
Fachin assume condução de processos
Na quarta-feira (9), Fachin tomou uma série de medidas para tentar centralizar a condução dos processos relacionados à crise.
O presidente do STF marcou para terça-feira (15) o julgamento de um relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
Fachin também assumiu a condução do inquérito das fake news, que estava sob responsabilidade de Moraes, e suspendeu as decisões relacionadas ao afastamento de Andrei Rodrigues. Com isso, o delegado foi mantido no cargo de diretor-geral da Polícia Federal.
Decisões divergentes aumentaram tensão
A crise se intensificou depois que o ministro André Mendonça determinou, na terça-feira (8), o afastamento de Andrei Rodrigues da direção da PF. Na manhã seguinte, o ministro Flávio Dino determinou que o delegado reassumisse a função.
Antes da intervenção de Fachin, Lula e integrantes do governo avaliavam reservadamente que a ausência de uma decisão centralizada poderia ampliar o conflito entre os ministros do Supremo.
No episódio envolvendo a PF e as investigações relacionadas ao Banco Master, ministros como Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Alexandre de Moraes passaram a ocupar posições divergentes das adotadas por Mendonça.
A Advocacia-Geral da União (AGU) também entrou nas articulações para tentar reduzir a instabilidade. O ministro Jorge Messias voltou a conversar com Fachin e pediu que o presidente do STF analisasse o recurso apresentado contra a decisão que havia afastado Andrei Rodrigues.
A preocupação do governo era que, mesmo após a determinação de Dino para reconduzir o delegado, uma nova decisão judicial pudesse determinar novamente sua saída, provocando outra reviravolta.
Governo teme impacto na eleição
Além da crise institucional, o Palácio do Planalto acompanha os possíveis reflexos do episódio sobre a eleição presidencial de 2026.
Segundo interlocutores citados por O Globo, Lula avalia que a população é prejudicada quando o Judiciário passa a ser alvo de suspeitas e questionamentos públicos.
A estratégia do presidente seria concentrar a campanha em temas relacionados ao cotidiano da população e evitar que o conflito entre integrantes do STF domine o debate eleitoral.
O entorno de Lula considera importante solucionar o impasse para que a campanha possa direcionar o foco para a disputa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como um dos principais adversários do presidente.
A preocupação ganhou força após a divulgação de pesquisas eleitorais, incluindo levantamento da Quaest que apontou empate numérico entre Lula e Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno.
Lula defende transparência nas investigações
Diante do cenário, integrantes da campanha de Lula passaram a defender a retirada dos sigilos das investigações relacionadas ao Banco Master. A posição também foi manifestada pelo próprio presidente nas redes sociais.
Lula pediu a “quebra completa” do sigilo das apurações, “seja quem for, doa a quem doer”. O presidente também criticou o que chamou de “vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral” e afirmou que a população precisa receber explicações e medidas imediatas.
PT aumenta pressão sobre André Mendonça
Enquanto Lula adota um discurso centrado na transparência das investigações, o PT prepara uma reação política mais dura contra a atuação do ministro André Mendonça.
O secretário de Comunicação do partido, Éden Valadares, publicou um vídeo no qual acusou o relator do caso do Banco Master de utilizar a crise do Supremo como instrumento eleitoral.
Valadares também criticou decisões atribuídas ao ministro relacionadas às investigações envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, além de questionar a condução das apurações sobre o filme “Dark Horse”.
As declarações representam a posição política do dirigente petista e não constituem, por si só, comprovação das acusações apresentadas.
Parlamentares governistas também passaram a questionar nas redes sociais o afastamento de Andrei Rodrigues, delegado responsável pela Polícia Federal durante operações relacionadas ao caso.
Mensagens com orientações para a militância passaram a circular em grupos de WhatsApp ligados ao PT, incluindo espaços utilizados na campanha eleitoral de 2022 e reativados para a disputa deste ano.
A orientação é que os militantes discutam a atuação de Mendonça no caso e defendam a independência das instituições durante as investigações.



