Presidente afirmou que eventuais irregularidades envolvendo autoridades devem ser apuradas e voltou a criticar a divulgação seletiva de informações das investigações.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender nesta quinta-feira (10) uma investigação ampla sobre o caso Banco Master e as relações mantidas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro com autoridades dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Em entrevista ao SBT, Lula afirmou que eventuais irregularidades devem ser apuradas independentemente de quem esteja envolvido.
Ao ser questionado sobre as investigações que alcançaram integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, o presidente defendeu que não haja tratamento diferenciado para autoridades.
Lula afirmou que todos devem estar sujeitos à investigação, desde integrantes da Suprema Corte e o próprio presidente da República até empresários e cidadãos comuns. Segundo ele, quem tiver cometido irregularidades deverá responder por seus atos.
As declarações ocorrem após uma semana de forte tensão institucional no STF, provocada pela divulgação de informações obtidas nas investigações sobre o Banco Master e pelas divergências entre ministros acerca da atuação da Polícia Federal.
Lula volta a criticar vazamentos seletivos
Durante a entrevista, Lula também voltou a questionar o que considera divulgação seletiva de informações sigilosas. Sem citar diretamente André Mendonça nesse trecho da entrevista, o presidente afirmou que cabe ao magistrado responsável por informações protegidas impedir que o conteúdo seja utilizado de maneira direcionada.
Para Lula, a divulgação fragmentada de informações de investigações pode provocar consequências políticas, especialmente durante o período eleitoral. O presidente defendeu que as instituições atuem com transparência e evitem que apenas partes das apurações sejam apresentadas à sociedade sem o contexto completo.
Na quarta-feira (9), Lula já havia defendido publicamente a ampliação da transparência sobre o caso Master e pedido a retirada do sigilo das informações que possam ser legalmente divulgadas.
Na entrevista ao SBT, o presidente reiterou essa posição e afirmou ter conversado com ministros sobre a necessidade de tornar públicas as informações das investigações, preservadas as limitações previstas em lei.
A discussão ganhou força depois que André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal contendo mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro e referências ao ministro Alexandre de Moraes.
As mensagens reveladas integram o material investigativo, mas sua existência, isoladamente, não comprova que eventuais solicitações de Vorcaro tenham sido atendidas nem que as autoridades mencionadas tenham cometido crimes.
Posteriormente, também veio a público que André Mendonça se encontrou com Vorcaro em março de 2025, na sede do Instituto Iter, em São Paulo. Mendonça confirmou o encontro e afirmou que apenas ouviu o empresário sobre uma questão jurídica relacionada a créditos de precatórios. O ministro nega ter favorecido Vorcaro.
Presidente confirma encontro com Vorcaro
Lula também foi questionado sobre seu próprio encontro com Daniel Vorcaro, realizado antes do agravamento da crise envolvendo o Banco Master.
Segundo o presidente, Vorcaro o procurou alegando que estava sendo perseguido. Lula afirmou ter respondido que o empresário seria investigado pelas autoridades competentes e que não receberia tratamento privilegiado.
O presidente disse que o encontro durou menos de meia hora e contou também com a participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Durante a entrevista, Lula comparou a situação ao episódio envolvendo o Banco PanAmericano durante seu segundo mandato presidencial. Ele lembrou que recebeu Silvio Santos na época da crise da instituição e afirmou que, naquela ocasião, também defendeu uma investigação sem perseguição ou favorecimento.
Ao falar do Banco Master, Lula voltou a fazer uma avaliação contundente sobre as irregularidades investigadas e atribuiu ao caso um rombo de aproximadamente R$ 60 bilhões. A dimensão exata das perdas e as responsabilidades individuais, entretanto, permanecem sujeitas às investigações e aos processos conduzidos pelas autoridades competentes.
A crise institucional também levou o presidente do STF, Edson Fachin, a adotar medidas para reorganizar a análise dos episódios envolvendo integrantes da própria Corte.
Fachin suspendeu a decisão de André Mendonça que havia afastado o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada. Também convocou sessão do plenário do Supremo para a próxima terça-feira (15), quando os ministros deverão discutir procedimentos relacionados às investigações que alcançam integrantes do tribunal.
Em meio às divergências, Lula sustenta que a resposta para a crise deve ser a investigação de todos os fatos e a divulgação das informações que possam legalmente ser tornadas públicas, sem antecipação de culpa. As diferentes acusações e suspeitas envolvendo autoridades permanecem em apuração e ainda não representam conclusões definitivas sobre responsabilidades.
🔍 Fonte: Brasil de Fato; Supremo Tribunal Federal (STF).
📰 Edição: Ceilândia em Alerta | Jornal Taguacei
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