Explosão israelense provoca tremor de magnitude 4,1 no Líbano; mais de 21 mil crianças morreram em Gaza

Forças israelenses afirmam ter destruído uma rede subterrânea do Hezbollah no sul libanês; dados da Unicef registram mais de 21,7 mil crianças mortas na Faixa de Gaza desde outubro de 2023.

Uma grande explosão realizada pelas forças israelenses contra uma estrutura subterrânea atribuída ao Hezbollah provocou tremores no sul do Líbano nesta quinta-feira (10). O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registrou um evento de magnitude 4,1 na região, enquanto moradores de Nabatieh e localidades próximas relataram ter sentido o impacto.

Israel afirmou que a operação ocorreu na região de Ali al-Taher, uma área estratégica situada a aproximadamente 15 quilômetros da fronteira israelense. Segundo as Forças Armadas israelenses, a explosão destruiu uma rede subterrânea utilizada pelo Hezbollah.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa, Israel Katz, disseram que a estrutura tinha mais de dois quilômetros de extensão e incluía centros de comando, depósitos e locais utilizados para armazenar foguetes, mísseis, drones, armas antitanque, minas e explosivos.

A agência estatal libanesa NNA informou que a explosão foi suficientemente forte para provocar tremores sentidos em diferentes pontos da região. Imagens divulgadas pelo Exército israelense mostraram grandes bolas de fogo durante a detonação.

Não havia, nas informações divulgadas inicialmente sobre a operação, confirmação de mortos ou feridos provocados especificamente pela explosão em Ali al-Taher.

Israel afirma ter destruído complexo do Hezbollah

As autoridades israelenses afirmaram que a destruição da estrutura subterrânea completou a consolidação de uma área de segurança controlada por suas forças no sul do Líbano.

Israel declarou que pretende manter tropas na região para impedir que o Hezbollah volte a estabelecer posições militares e reconstrua sua capacidade operacional. O grupo libanês, apoiado pelo Irã, mantém uma longa disputa militar com Israel.

A operação ocorre em um cenário de sucessivos confrontos no território libanês. Apesar de um acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, ataques e operações militares continuaram sendo registrados.

No início desta semana, ataques israelenses contra Kfar Rumman, também no sul do Líbano, deixaram pelo menos 12 mortos, entre eles duas crianças, segundo autoridades libanesas. Israel afirmou que uma das operações tinha como alvo pessoas envolvidas no transporte de armamentos.

A destruição da rede subterrânea em Ali al-Taher também foi registrada por instrumentos sísmicos. O USGS classificou o evento em magnitude 4,1. Nesse caso, o registro não indica necessariamente a ocorrência de um terremoto de origem natural: a forte detonação militar foi apontada como responsável pelo abalo registrado.

Mais de 21,7 mil crianças foram mortas em Gaza

Enquanto a tensão permanece elevada no Líbano, a situação humanitária na Faixa de Gaza continua sendo marcada pelo elevado número de vítimas civis.

A relatora especial das Nações Unidas para os territórios palestinos ocupados, Francesca Albanese, afirmou nesta quinta-feira que mais de 21 mil crianças foram mortas em Gaza desde outubro de 2023.

Dados da Unicef reforçam a dimensão da tragédia. Segundo a agência das Nações Unidas para a infância, pelo menos 21,7 mil crianças haviam sido registradas como mortas até 30 de junho de 2026. Outras 45 mil haviam sido feridas, incluindo mais de 11 mil com ferimentos capazes de provocar consequências permanentes.

A Unicef também estima que cerca de 1,3 milhão de pessoas estejam deslocadas na Faixa de Gaza, muitas delas obrigadas a abandonar suas casas mais de uma vez.

Mesmo após o cessar-fogo de outubro de 2025, ataques israelenses continuaram ocorrendo no território palestino. Nesta quinta-feira, autoridades de saúde de Gaza informaram que um ataque israelense contra uma residência no norte do território matou um casal e suas duas filhas, de 8 e 12 anos.

As Forças Armadas israelenses disseram que o ataque tinha como alvo uma estrutura militar e um homem que, segundo Israel, participava de ações armadas. A declaração militar não mencionou inicialmente as mortes da mulher e das duas crianças.

Desde outubro de 2023, autoridades de saúde de Gaza registram mais de 73 mil palestinos mortos durante as operações militares israelenses. Israel afirma que suas ações têm como objetivo combater o Hamas e outros grupos armados e acusa essas organizações de operar em áreas civis.

As estimativas sobre crianças mortas, portanto, não se baseiam apenas na declaração da relatora Francesca Albanese. Os próprios dados humanitários publicados pela Unicef já apontavam, em junho deste ano, para mais de 21,7 mil mortes de crianças na Faixa de Gaza.


🔍 Fontes: Brasil de Fato; Unicef; Reuters; Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).

📰 Edição: Ceilândia em Alerta | Jornal Taguacei

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