A mobilização popular voltou a ser apontada como fator central na defesa da democracia brasileira após o ato realizado neste domingo (14) na Avenida Paulista, em São Paulo. Presente à manifestação contra a redução de penas para condenados por golpe de Estado, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, defendeu o aumento da pressão das ruas contra o projeto de lei que altera a dosimetria das penas, segundo reportagem do Valor.
A proposta em debate no Congresso pode beneficiar diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus principais aliados, além de condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Para Edinho, a resposta da sociedade precisa ser clara e contínua. “As ruas, de Norte a Sul do país, deram o recado neste domingo”, escreveu o dirigente em suas redes sociais. Em outra publicação, reforçou: “Só o povo na rua garantirá a vitória do Brasil”.
Edinho Silva foi um dos últimos oradores do ato na Paulista, que reuniu milhares de manifestantes em defesa do Estado democrático de direito e contra qualquer iniciativa que reduza a responsabilização penal de envolvidos em tentativas de ruptura institucional.
Segundo levantamento do Monitor do Debate Político do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e a ONG More in Common, a manifestação contou com cerca de 13,7 mil pessoas. A estimativa considera uma margem de erro de 12% e aponta que, no momento de pico, o público variou entre 12,1 mil e 15,4 mil participantes. O cálculo foi feito a partir da análise de imagens aéreas com o uso de software de inteligência artificial.
O número ficou abaixo do registrado em setembro, quando um ato contra a chamada PEC da blindagem reuniu, segundo o mesmo grupo de pesquisadores, cerca de 42,4 mil pessoas na avenida. Ainda assim, a avaliação dos organizadores e de lideranças políticas foi de que a mobilização mantém viva a resistência popular às propostas que buscam aliviar penas de crimes contra a democracia.
Distribuição de renda
Além da crítica direta ao PL da dosimetria, Edinho também aproveitou a ocasião para reafirmar a agenda política do Partido dos Trabalhadores, destacando a defesa de políticas de distribuição de renda e dos direitos dos povos originários como pilares de um projeto democrático mais amplo.
Em tom contundente, o presidente do PT reafirmou que não haverá recuo diante de ameaças ao regime democrático. “A nossa democracia não se barganha, e não tem preço. Não vamos recuar diante de golpistas e assassinos, que planejaram o assassinato do presidente Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes”, escreveu, reforçando a oposição do partido a qualquer tentativa de relativizar crimes cometidos contra o Estado democrático de direito.
Originalmente publicado em Brasil 247
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