Perfil do eleitorado do DF aponta caminhos para a disputa pelo Palácio do Buriti

Zilda Augusta. Foto: Vítor Ventura/Jornal de Brasília

Com 2,2 milhões de eleitores, Distrito Federal tem maioria feminina, população mais envelhecida e fortes diferenças sociais entre as regiões

Ceilândia em Alerta — Segundo informações divulgadas pelo Jornal de Brasília, os candidatos ao Governo do Distrito Federal iniciaram oficialmente a campanha diante de um eleitorado de aproximadamente 2,2 milhões de pessoas, com características bastante diferentes entre as regiões administrativas.

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), consolidados em 20 de julho, analisados pelo ObservaDF e pela professora Ana Maria Nogales, do Departamento de Estatística da Universidade de Brasília (UnB), mostram que mulheres, idosos e moradores das regiões de menor renda representam parcelas importantes do eleitorado e podem influenciar diretamente as estratégias dos candidatos.

Mulheres são maioria no DF

As mulheres representam 54,1% do eleitorado brasiliense, o equivalente a aproximadamente 1,1 milhão de eleitoras.

Para Ana Maria Nogales, o voto feminino pode ter características diferentes das observadas entre os homens, especialmente em temas relacionados às políticas sociais, cuidados, trabalho e participação das mulheres na sociedade.

A violência contra a mulher também aparece como uma pauta que pode ganhar força durante a campanha, principalmente diante dos índices de feminicídio registrados no Distrito Federal.

Eleitorado está envelhecendo

Outro dado que chama atenção é o envelhecimento da população eleitoral.

Em 2026, 20,4% dos eleitores do DF são idosos. Enquanto isso, houve uma queda expressiva entre os jovens de 16 e 17 anos aptos a votar.

Em 2022, eram 31.307 eleitores nessa faixa etária. Neste ano, o número caiu para 19.194, redução de 38,7%.

Na outra ponta, o eleitorado com mais de 70 anos cresceu 31% em relação a 2022 e chegou a 203.409 pessoas.

Segundo a professora Ana Maria Nogales, esse envelhecimento acompanha uma tendência demográfica que já vem sendo observada no país e deve fazer com que a saúde pública ganhe ainda mais importância na campanha.

Ceilândia, Planaltina e Samambaia entram no radar

A divisão do eleitorado por renda também revela diferenças significativas entre as regiões administrativas.

As RAs classificadas como de alta renda concentram apenas 18% dos eleitores do DF. As regiões de renda média-alta reúnem 32%, enquanto as de renda média-baixa representam 30,4%. Já as regiões de baixa renda correspondem a 19,7%.

Nesse cenário, Ceilândia, Planaltina e Samambaia aparecem como regiões que devem receber atenção dos candidatos.

Para os moradores de áreas de menor renda, problemas relacionados ao deslocamento diário podem pesar bastante na escolha do voto. A pesquisadora destaca a mobilidade urbana, os congestionamentos e a qualidade do transporte público como questões diretamente relacionadas à rotina dessa parcela da população.

Desigualdade também aparece na escolaridade

As diferenças socioeconômicas entre as regiões do DF também se refletem no nível de escolaridade.

Nas áreas de maior renda, 58,2% dos eleitores possuem ensino superior completo. Nas regiões de menor renda, o índice cai para aproximadamente 7%.

O perfil racial e etário também muda. Nas regiões de alta renda, 63,4% dos eleitores são brancos e há maior proporção de pessoas casadas.

Já nas regiões de baixa renda, 48,2% dos eleitores têm menos de 40 anos, enquanto 75,3% são pretos ou pardos e 64,5% são solteiros.

Apesar das desigualdades internas, o DF apresenta escolaridade acima da média brasileira. Enquanto 3,5% dos eleitores brasileiros são analfabetos, no Distrito Federal o percentual é de 0,8%. Entre os que não concluíram o ensino fundamental, os índices são de 27% no país e 14,8% no DF.

Cerca de 65% dos eleitores do Distrito Federal concluíram o ensino médio, e 23,3% possuem ensino superior completo.

Segurança, saúde e mobilidade devem dominar a campanha

Para o cientista político Leandro Gabiati, diretor da Dominium, três assuntos devem ocupar o centro da disputa pelo Palácio do Buriti: segurança pública, saúde e mobilidade urbana.

Segundo ele, esses temas aparecem entre as principais preocupações do eleitorado e devem ser utilizados pelos candidatos para construir suas propostas.

No campo político, Gabiati avalia que a disputa deve ser marcada pela divisão entre continuidade e oposição. A governadora Celina Leão (PP) busca a reeleição, enquanto nomes como Leandro Grass (PT), Ricardo Cappelli (PSB), José Roberto Arruda (PSD) e Paula Belmonte (PSDB) aparecem como alternativas ao atual governo.

O cientista político também aponta o caso envolvendo o BRB e o Banco Master como um assunto que deve permanecer presente nos discursos e debates dos candidatos de oposição.

Leandro Grass destaca saúde, educação e transporte

 Foto: Nina Quintana/ site pessoal

Entre os nomes de oposição, Leandro Grass (PT) tem apresentado um discurso voltado à reconstrução do Distrito Federal e à melhoria dos serviços públicos.

Em maio, durante a oficialização de sua pré-candidatura ao Governo do DF, Grass destacou áreas que considera prioritárias para uma eventual gestão.

“A saúde pública em primeiro lugar, mas também a educação, o emprego, o combate ao feminicídio, a melhoria do transporte e levar infraestrutura para áreas que hoje não têm saneamento e esgoto. Cuidar das pessoas é a nossa prioridade”, afirmou Grass.

A declaração se aproxima justamente de algumas das principais preocupações apontadas no levantamento sobre o eleitorado do Distrito Federal, especialmente saúde, mobilidade, infraestrutura e segurança.

Grass também defendeu uma frente política ampla e afirmou que pretende apresentar um projeto de reconstrução para Brasília. O petista já disputou o Governo do Distrito Federal em 2022 e agora volta à corrida pelo Palácio do Buriti.

Mais de 60% dos eleitores ainda podem estar indecisos

Outro fator que pode influenciar a eleição é o elevado número de eleitores que ainda não definiram seu voto.

Segundo a avaliação de Leandro Gabiati apresentada pelo Jornal de Brasília, levantamentos indicam que mais de 60% dos eleitores permanecem indecisos na modalidade espontânea.

Para o cientista político, a campanha oficial terá papel importante na formação dessas preferências. Segurança, saúde e custo de vida devem estar entre os principais critérios utilizados pelos eleitores.

Além das questões locais, a polarização nacional também pode interferir na disputa. O Distrito Federal possui uma base conservadora consolidada, enquanto diferentes candidaturas tentam ampliar seus espaços entre os eleitores.

21 zonas eleitorais distribuem os votos pelo DF

O Distrito Federal possui 21 zonas eleitorais, 7.042 seções e 614 locais de votação.

Algumas zonas correspondem diretamente a determinadas regiões administrativas, enquanto outras abrangem mais de uma RA. A zona 2, por exemplo, reúne Paranoá, Varjão, Itapoã e Lago Norte. A zona 5 engloba Sobradinho, Sobradinho II e Fercal.

Já a zona 6 abrange Planaltina e Arapoanga; a zona 9 reúne Guará e SCIA-Estrutural; e a zona 10 inclui Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo, Candangolândia e Park Way.

As zonas 15 e 13 estão entre as áreas com maior concentração de eleitores, abrangendo respectivamente Taguatinga, Águas Claras e Arniqueira, e Samambaia e Água Quente.

Em média, cada seção eleitoral terá cerca de 320 eleitores.

Moradores apontam prioridades

O Jornal de Brasília também ouviu moradores de diferentes regiões para identificar quais temas deveriam receber prioridade do próximo governo.

A saúde pública apareceu entre as principais preocupações, com cobranças por mais profissionais, ampliação da rede e melhoria da estrutura.

A segurança também foi frequentemente citada, principalmente diante da sensação de insegurança e da situação da população em situação de rua.

A mobilidade urbana aparece como outro problema recorrente. Moradores reclamam do tempo perdido nos deslocamentos e cobram melhorias no transporte público.

Também foram mencionados temas como desigualdade de renda, infraestrutura, educação pública e custo de vida.

Disputa deve se intensificar até outubro

Com a campanha oficialmente nas ruas, os candidatos terão de transformar essas demandas em propostas capazes de alcançar um eleitorado extremamente diverso.

O desafio será falar simultaneamente com regiões de alta renda e áreas periféricas, com jovens e idosos, além de eleitores com níveis de escolaridade e condições econômicas bastante diferentes.

Saúde, segurança, mobilidade, emprego, educação e custo de vida devem ocupar espaço central nos próximos debates, enquanto o caso BRB/Master e a avaliação da atual gestão prometem alimentar o confronto político.

A disputa pelo Palácio do Buriti, portanto, começa com um eleitorado amplo, heterogêneo e ainda com uma parcela significativa de indecisos — cenário que pode fazer das próximas semanas um período decisivo para a definição dos rumos da eleição no Distrito Federal.

Nota de transparência: Esta matéria foi produzida com auxílio de inteligência artificial e passou por revisão editorial antes da publicação.

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