Ceilândia em Alerta — O Banco Central reduziu nesta quarta-feira (16/9) a taxa básica de juros da economia de 14% para 13,75% ao ano. A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) foi unânime e representa o quinto corte consecutivo da Selic.
A redução de 0,25 ponto percentual já era esperada pelo mercado financeiro. No comunicado divulgado após a reunião, o Copom destacou as incertezas no cenário internacional, principalmente diante da indefinição sobre os conflitos armados no Oriente Médio e das perspectivas para a política monetária das principais economias desenvolvidas.
Segundo o Banco Central, o ambiente externo exige cautela dos países emergentes devido à maior volatilidade nos preços dos ativos e das commodities.
Selic estava em 15%
Entre junho de 2025 e março de 2026, a Selic permaneceu em 15% ao ano, maior patamar registrado em quase duas décadas. Os cortes foram retomados em abril, em um cenário de desaceleração da inflação.
A conjuntura, entretanto, passou a incorporar novos fatores de pressão. O agravamento dos conflitos no Oriente Médio e os efeitos esperados do fenômeno El Niño são apontados pelo Copom como elementos que podem dificultar o controle dos preços nos próximos meses.
A composição do colegiado também está incompleta. Os mandatos dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Diego Guillen, terminaram no fim de 2025. Até agora, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não encaminhou ao Congresso Nacional as indicações para os cargos.
Inflação desacelera
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para influenciar a inflação, medida oficialmente pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Em agosto, o IPCA registrou deflação de 0,32%, favorecido principalmente pelo bônus de Itaipu, que reduziu o valor das contas de energia elétrica. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses caiu de 4,44% em julho para 4,22% em agosto.
Os alimentos também ajudaram a reduzir o índice, com queda média de 0,34% no mês. O cenário, porém, pode mudar nos próximos meses devido aos efeitos do El Niño sobre a produção e os preços dos alimentos.
Desde janeiro de 2025, o país adota o sistema de meta contínua para a inflação. A meta definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O intervalo, portanto, vai de 1,5% a 4,5%.
Nesse modelo, a inflação é acompanhada continuamente com base no acumulado de 12 meses, e não apenas no resultado fechado de dezembro de cada ano.
Previsões para 2026
No último Relatório de Política Monetária, divulgado em junho, o Banco Central havia elevado de 3,9% para 5,2% sua projeção para o IPCA de 2026. A estimativa deverá ser revisada na próxima edição do documento, diante da recente desaceleração dos preços.
As projeções do mercado financeiro são menos elevadas. De acordo com o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, a expectativa é de inflação de 4,9% ao fim de 2026, acima do teto da meta, de 4,5%.
Antes do agravamento dos conflitos no Oriente Médio, as projeções estavam em 3,95%.
O Copom também afirmou que os indicadores recentes apontam para uma desaceleração gradual da atividade econômica, especialmente nos setores mais sensíveis ao ciclo econômico. Apesar disso, o mercado de trabalho permanece aquecido.
Juros menores podem estimular economia
A redução da Selic tende a diminuir o custo do crédito e pode estimular tanto o consumo das famílias quanto os investimentos e a produção das empresas. Ao mesmo tempo, juros mais baixos reduzem o efeito de contenção sobre a inflação.
No relatório divulgado em junho, o Banco Central projetou crescimento de 2% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026.
A previsão do mercado financeiro é um pouco menor. Segundo a última edição do Focus, os analistas estimam crescimento de 1,89% da economia neste ano. Há quatro semanas, a projeção era de 1,98%.
A Selic também serve como referência para outras taxas de juros praticadas no país. Quando a taxa sobe, o crédito tende a ficar mais caro, o que reduz o consumo e estimula a poupança. Quando cai, ocorre o movimento contrário, com maior estímulo à circulação de dinheiro na economia.



