Ceilândia em Alerta — A redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros foi considerada insuficiente por entidades que representam a indústria e os trabalhadores. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (16/9) reduzir a Selic de 14% para 13,75% ao ano, no quinto corte consecutivo.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou que o Banco Central adotou uma postura excessivamente cautelosa diante da desaceleração recente da inflação. Para a entidade, os indicadores apontam para uma trajetória gradual de aproximação da meta de inflação, atualmente fixada em 3% ao ano.
Em nota, a CNI afirmou que o IPCA acumulado em 12 meses chegou a 4,22% até agosto e destacou a melhora nas expectativas do mercado.
CNI defende continuidade dos cortes
O presidente da CNI, Ricardo Alban, disse que o Banco Central deve manter o processo de redução dos juros. Na avaliação dele, a manutenção da Selic em níveis elevados por um período prolongado aumenta o custo para a atividade econômica.
“É essencial que o Banco Central dê continuidade ao ciclo de redução da Selic. Manter a taxa básica em patamar tão restritivo por período prolongado significa impor à economia um custo maior do que o necessário para assegurar a estabilidade de preços”, afirmou.
Segundo a CNI, mesmo com a redução anunciada pelo Copom, a política monetária continua restritiva. A entidade estima que o juro real esteja próximo de 9%, enquanto a taxa real neutra estimada pelo Banco Central é de aproximadamente 5% ao ano.
CUT pede juros menores
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) também considerou a redução insuficiente diante do nível atual dos juros no país.
Para Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo e diretora executiva da CUT, a redução da Selic pode abrir espaço para uma diminuição gradual do custo do crédito, embora os efeitos para consumidores e empresas não ocorram imediatamente.
Segundo ela, a desaceleração da inflação e da atividade econômica cria condições para novos cortes.
A dirigente defendeu que a discussão sobre os juros considere também os efeitos sobre crédito, investimentos, empregos e o custo financeiro das famílias, empresas e do setor público.
Força Sindical critica tamanho do corte
A Força Sindical adotou uma avaliação semelhante e classificou o corte de 0,25 ponto percentual como muito pequeno.
A central sindical afirmou que uma redução maior poderia contribuir para estimular a atividade econômica no último trimestre do ano e criticou a permanência dos juros em patamar elevado.
Em seu posicionamento, a entidade também relacionou os juros altos à redução da capacidade de consumo das famílias, à cautela dos empresários e à diminuição dos investimentos.
Construção civil vê redução como positiva
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) apresentou uma avaliação diferente em relação à decisão. A entidade considerou positiva a redução da Selic, mas ressaltou que novos cortes serão necessários para que o crédito e os investimentos possam avançar de forma mais consistente.
Para a CBIC, o nível ainda elevado dos juros representa um desafio especialmente significativo para o setor da construção civil, que depende de financiamento e trabalha com projetos de longo prazo.
O presidente da entidade, Eduardo Almeida, destacou que os juros permanecem em dois dígitos desde o início de 2022 e defendeu um ambiente econômico mais estável e previsível.
“Precisamos avançar na construção de um ambiente macroeconômico estável, que permita a continuidade desse movimento de redução dos juros de forma sustentável e estimule novos investimentos”, afirmou.



