Delegação brasileira participa do Fórum Civil dos Brics em Delhi, na Índia

Encontro reúne representantes da sociedade civil, movimentos populares e universidades para discutir cooperação, clima, saúde, educação, cultura e soberania digital.

Representantes da sociedade civil brasileira participaram, nos dias 17 e 18 de agosto, do Fórum Civil dos Brics, realizado em Delhi, na Índia. O encontro reuniu mais de 80 representantes de organizações não governamentais, movimentos sociais, universidades e grupos de pesquisa dos países que integram o bloco.

Organizado pelo Research and Information System for Developing Countries (RIS), o fórum antecede a Cúpula de Líderes do Brics, prevista para os dias 12 e 13 de setembro. A iniciativa dá continuidade às atividades do Conselho e do Fórum Civil durante a presidência indiana do grupo.

A delegação brasileira contou com oito representantes de organizações e instituições como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Universidade Federal do Paraná (UFPR), a Brics Arts Association e o Brics Policy Center.

Grupos de trabalho discutem prioridades do Sul Global

Durante os dois dias de atividades, os participantes foram divididos em grupos de trabalho dedicados a seis áreas: Educação, Ecologia, Saúde, Cultura, Soberania Digital e Finanças.

Entre os principais temas debatidos estiveram a governança digital, a crise climática, a cooperação internacional e a busca por modelos de desenvolvimento que tenham as necessidades das populações como referência.

Representantes brasileiros defenderam o fortalecimento dos sistemas públicos de saúde, a educação como direito, a ampliação da cooperação cultural e o desenvolvimento de mecanismos que aumentem a soberania tecnológica dos países integrantes do Brics.

No grupo de Ecologia, o debate envolveu o potencial dos países do bloco na produção e no controle de recursos naturais considerados estratégicos, como água, petróleo, gás e minerais. A discussão também abordou a possibilidade de uma transição ecológica que leve em consideração as necessidades das populações dos países do Sul Global.

Na área de Soberania Digital, os participantes discutiram estratégias de cooperação tecnológica. Segundo os organizadores, os países do Brics concentram aproximadamente 40% da população digital mundial, o que amplia o potencial para ações conjuntas no setor.

O grupo de Cultura defendeu ainda a criação de um Fundo de Cultura dos Brics, destinado a fortalecer o intercâmbio cultural entre os países.

Sociedade civil busca ampliar participação nas decisões do Brics

A participação da sociedade civil é apresentada pelos organizadores como uma forma de ampliar o debate sobre as decisões e propostas relacionadas ao bloco.

Durante o encontro, representantes brasileiros também destacaram a experiência da presidência brasileira do Brics, em 2025, quando houve participação do Conselho Civil na Cúpula de Líderes.

A expectativa manifestada pelos participantes é de que o diálogo entre governos e organizações da sociedade civil seja ampliado nas próximas presidências do bloco. A China assumirá a presidência do Brics em 2027.

O Fórum Civil ocorre em um momento de transformações na economia e na política internacional, com os países do Brics buscando ampliar sua participação nas discussões sobre governança financeira, tecnologia, meio ambiente e cooperação internacional.

O encontro em Delhi reforçou, segundo os participantes, a intenção de organizações sociais e acadêmicas de ocupar espaço na construção das propostas do bloco e de ampliar a cooperação entre movimentos e instituições dos países integrantes.


🔍 Fontes: Brasil de Fato

📰 Edição: Ceilândia em Alerta | Jornal Taguacei

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