Lula defende enriquecimento e exportação de urânio brasileiro para fins pacíficos

Presidente afirma que o domínio da tecnologia nuclear é estratégico para a soberania nacional e cobra recursos para concluir o submarino de propulsão nuclear da Marinha.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta quarta-feira (19), que o Brasil avance no domínio da tecnologia nuclear e possa exportar urânio enriquecido para outros países, desde que destinado a fins pacíficos.

A declaração foi feita durante visita ao Centro Industrial Nuclear de Aramar, em Iperó, no interior de São Paulo, instalação ligada ao Programa Nuclear da Marinha. Lula afirmou que o desenvolvimento tecnológico brasileiro deve permitir ao país produzir e comercializar urânio enriquecido dentro dos limites estabelecidos pela legislação nacional.

Segundo o presidente, o domínio dessa tecnologia está relacionado à soberania brasileira e pode gerar oportunidades em áreas como energia, saúde, ciência e formação de profissionais especializados.

Lula também afirmou que o Brasil precisa ter capacidade para competir internacionalmente e defender seus interesses sem assumir uma posição de submissão diante de outras nações.

Submarino nuclear é tratado como projeto estratégico

Durante a visita, Lula cobrou a definição de um orçamento específico para garantir a continuidade do projeto do submarino brasileiro de propulsão nuclear, desenvolvido pela Marinha desde 2007.

Para o presidente, um projeto de longo prazo dessa dimensão não pode depender das oscilações anuais do orçamento público. Ele defendeu que sejam assegurados recursos para que o programa avance de forma contínua.

O submarino é considerado pelo governo um dos principais projetos estratégicos de defesa do país. Além da aplicação militar, o programa envolve o desenvolvimento de tecnologias relacionadas ao enriquecimento de urânio e à engenharia nuclear.

Lula afirmou que a iniciativa também pode contribuir para a geração de empregos qualificados e para o desenvolvimento científico e tecnológico brasileiro.

Tecnologia nuclear também pode ampliar aplicações na saúde

A agenda presidencial em Iperó incluiu ainda uma visita às instalações do futuro Reator Multipropósito Brasileiro. O empreendimento deverá ampliar a capacidade nacional de produção de radioisótopos utilizados na medicina, especialmente em exames e tratamentos contra o câncer.

O governo considera o projeto estratégico para reduzir a dependência brasileira de fornecedores estrangeiros de insumos utilizados na área da saúde.

A visita ocorreu em um momento de retomada do debate sobre soberania energética, defesa e capacidade tecnológica do Brasil. Para Lula, o domínio do ciclo do combustível nuclear pode colocar o país em uma posição mais competitiva internacionalmente, desde que o desenvolvimento seja direcionado para aplicações pacíficas.

O Brasil mantém compromisso constitucional com o uso pacífico da energia nuclear e participa de mecanismos internacionais de controle e salvaguardas destinados a impedir a proliferação de armas nucleares.


🔍 Fontes: Brasil de Fato

📰 Edição: Ceilândia em Alerta | Jornal Taguacei

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