Proposta encaminhada por meio de mediadores do Catar prevê fim dos ataques, desbloqueio de recursos iranianos e encerramento do bloqueio naval; Washington ainda não havia respondido oficialmente.
Ceilândia em Alerta – O governo do Irã enviou aos Estados Unidos uma nova proposta para tentar encerrar a guerra entre os dois países. As condições foram apresentadas pelo chefe de segurança iraniano, Mohsen Rezaei, e encaminhadas a Washington por intermédio do Catar, que atua como mediador nas negociações.
Segundo Rezaei, a proposta já está sendo analisada pelo governo norte-americano. Entre as exigências de Teerã está o encerramento das hostilidades em todas as frentes, com destaque para os ataques no Líbano.
O governo iraniano também exige a liberação de bilhões de dólares pertencentes ao país que permanecem congelados, o fim dos ataques dos Estados Unidos contra o território iraniano e a suspensão do bloqueio naval imposto aos portos do país.
Outro ponto apresentado por Teerã é o fim do que classifica como interferência norte-americana em seus assuntos internos. O Irã também pede que Washington encerre a cooperação com grupos descritos pelo governo iraniano como opositores da Revolução Islâmica.
As condições representam a posição apresentada pelo governo do Irã para uma eventual negociação e ainda dependem da resposta dos Estados Unidos.
Estreito de Ormuz permanece bloqueado
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou neste domingo (20) que o Estreito de Ormuz continuará bloqueado enquanto os compromissos exigidos de Washington não forem cumpridos.
Qalibaf classificou as condições iranianas como claras e afirmou que Teerã não pretende reabrir a importante rota marítima antes de obter garantias dos Estados Unidos.
O Estreito de Ormuz possui importância estratégica para o comércio internacional de petróleo e gás. A continuidade das restrições à navegação na região tem repercussões sobre os mercados de energia e sobre os custos do transporte marítimo.
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos mantêm restrições aos portos do sul do Irã, estabelecendo um dos principais pontos de impasse das negociações.
A tentativa de retomada do diálogo ocorre depois do fim do acordo de cessar-fogo firmado em 17 de junho, com duração prevista de 60 dias.
Com o encerramento desse período e a retomada das hostilidades, a tensão regional voltou a crescer. A escalada contribuiu para pressionar as cotações internacionais do petróleo, que ultrapassaram US$ 100 nas últimas semanas.
Washington ainda avalia condições
Até a publicação da reportagem, os Estados Unidos não haviam apresentado uma resposta oficial às novas condições iranianas.
No sábado (19), autoridades norte-americanas emitiram um alerta aos cidadãos dos Estados Unidos que estão no Iraque, Bahrein, Omã, Arábia Saudita, Irã, Catar, Líbano, Kuwait e Jordânia, recomendando maior vigilância diante do risco de uma nova escalada regional.
O presidente norte-americano, Donald Trump, estava em Camp David, retiro presidencial localizado em Maryland, mas retornou antecipadamente a Washington. A Casa Branca não informou oficialmente a razão da mudança na agenda.
A apresentação da proposta indica a manutenção de um canal diplomático entre Teerã e Washington apesar das operações militares e dos bloqueios adotados pelos dois lados.
Ainda não existe, porém, acordo sobre as condições necessárias para encerrar o conflito. A possibilidade de um novo cessar-fogo ou de uma negociação mais ampla dependerá da resposta norte-americana e da eventual construção de compromissos entre as partes.
🔍 Fonte: Brasil de Fato.



