Ex-presidenta do Chile deixa disputa após perder apoio no Conselho de Segurança e agradece respaldo recebido dos governos do Brasil e do México.
Ceilândia em Alerta – A ex-presidenta do Chile Michelle Bachelet anunciou que não seguirá na disputa para se tornar a próxima secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). A decisão foi comunicada no sábado (19), por meio de um vídeo publicado nas redes sociais.
Bachelet, de 74 anos, afirmou que não se arrepende de ter participado do processo e relacionou sua candidatura à defesa do multilateralismo, do direito internacional, da democracia, dos direitos humanos e das políticas de enfrentamento às mudanças climáticas.
A ex-presidenta também agradeceu o apoio recebido do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente do México, Claudia Sheinbaum. Brasil e México mantiveram formalmente a indicação depois que o novo governo chileno retirou seu apoio à candidatura em março.
A candidatura havia sido apresentada originalmente por Chile, Brasil e México. Após a mudança de governo no Chile, o presidente José Antonio Kast retirou o respaldo de seu país, mas Bachelet permaneceu formalmente na disputa com a indicação brasileira e mexicana.
Apoio caiu no Conselho de Segurança
A desistência ocorreu após a terceira consulta informal realizada entre os 15 integrantes do Conselho de Segurança da ONU.
Nessa rodada, Bachelet recebeu apenas um voto de incentivo, enquanto 11 integrantes se manifestaram contra a continuidade de sua candidatura e três não expressaram opinião. Nas consultas anteriores, ela havia recebido seis manifestações favoráveis em julho e duas em agosto.
Essas consultas são informais e não correspondem à votação definitiva para a escolha do secretário-geral. Elas, porém, funcionam como um indicador do apoio disponível entre os integrantes do Conselho de Segurança.
Para ser formalmente recomendada, uma candidatura precisa reunir apoio suficiente no Conselho e evitar o veto de qualquer um dos cinco membros permanentes — Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido.
No pronunciamento em que anunciou sua retirada, Bachelet afirmou que sua participação também buscou fortalecer a discussão sobre a possibilidade de a ONU ser comandada por uma mulher latino-americana.
Desde a criação das Nações Unidas, nenhuma mulher ocupou a Secretaria-Geral. O único latino-americano que chegou ao posto foi o peruano Javier Pérez de Cuéllar, que exerceu dois mandatos entre 1982 e 1991.
Ex-presidenta tem longa trajetória na ONU
Michelle Bachelet governou o Chile em dois períodos, de 2006 a 2010 e de 2014 a 2018.
Sua trajetória também inclui diferentes funções no sistema das Nações Unidas. Entre 2010 e 2013, foi a primeira diretora-executiva da ONU Mulheres, entidade dedicada à igualdade de gênero e ao fortalecimento dos direitos das mulheres.
Entre 2018 e 2022, exerceu o cargo de alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
Com a retirada de Bachelet, a disputa para suceder António Guterres continua. Entre os nomes que permanecem no processo estão a costa-riquenha Rebeca Grynspan, atual secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD); o argentino Rafael Mariano Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA); e o ex-presidente do Senegal Macky Sall, além de outros candidatos.
Guterres encerra seu segundo mandato em 31 de dezembro de 2026.
O Conselho de Segurança deverá recomendar um nome à Assembleia Geral da ONU, formada pelos 193 Estados-membros. Somente após essa etapa ocorrerá a nomeação formal da pessoa que ocupará a Secretaria-Geral.
🔍 Fontes: Brasil de Fato; Organização das Nações Unidas (ONU); Reuters.



