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Periferias ganham espaço nos planos para o GDF, enquanto moradores cobram serviços mais próximos

Rua sem pavimentação em comunidade urbana, com moradores, casas de alvenaria, postes e fiação elétrica.
Moradores da Estrutural convivem com desafios relacionados à infraestrutura e ao acesso a serviços públicos no território | Crédito: Flávia Quirino/Brasil de Fato DF

Programas de Grass, Arruda, Cappelli e Celina apresentam propostas para transporte, saúde, emprego e infraestrutura; representantes das comunidades destacam dificuldades em moradia, cultura e mobilidade.

Ceilândia em Alerta – As periferias do Distrito Federal aparecem nos programas de governo dos candidatos Leandro Grass (PT), Celina Leão (PP), José Roberto Arruda (PSD) e Ricardo Cappelli (PSB) com propostas relacionadas a transporte, moradia, saúde, infraestrutura, emprego e desenvolvimento econômico. Representantes de movimentos sociais ouvidos pelo Brasil de Fato DF, entretanto, afirmam que problemas cotidianos das Regiões Administrativas ainda exigem respostas do poder público.

Em Santa Maria, a ativista cultural Paula Juliana, da Família Hip Hop, cita dificuldades relacionadas ao transporte público, educação, lazer e acesso a equipamentos culturais. Ela também chama atenção para o tempo gasto diariamente por moradores que precisam se deslocar das regiões periféricas para trabalhar em outras áreas do Distrito Federal.

A descentralização dos empregos aparece, com diferentes formatos, nos programas analisados. A intenção declarada nas propostas é aproximar oportunidades econômicas e serviços públicos dos locais onde a população mora, diminuindo a necessidade de grandes deslocamentos diários.

Candidatos apresentam diferentes propostas para as RAs

O programa de Leandro Grass propõe a criação de um Sistema de Centralidades, destinado a fortalecer polos econômicos e de serviços nas Regiões Administrativas. Ceilândia, Taguatinga, Gama, Samambaia, Águas Claras, Paranoá e Sobradinho estão entre as localidades mencionadas.

O plano prevê integrar essas centralidades ao transporte coletivo por meio de BRT, VLT, metrô e corredores de ônibus. Também propõe distritos de emprego nas RAs para estimular a instalação de empresas mais próximas das áreas residenciais.

Para o Sol Nascente/Pôr do Sol, Grass apresenta uma proposta específica de urbanização, incluindo pavimentação, drenagem, esgotamento sanitário, iluminação, equipamentos públicos e assistência técnica para habitação. A região também aparece entre as prioridades para expansão da Atenção Primária à Saúde.

José Roberto Arruda prevê 150 novas equipes de Saúde da Família e Saúde Bucal, priorizando regiões como Sol Nascente/Pôr do Sol, Ceilândia, Estrutural, Itapoã e Recanto das Emas.

Na mobilidade, seu programa inclui a expansão do metrô até o Condomínio Privê e o Sol Nascente/Pôr do Sol. O plano também propõe novas centralidades fora do Plano Piloto, reunindo emprego, comércio, serviços públicos, universidades, hospitais, cultura e lazer.

O programa de Ricardo Cappelli apresenta os chamados Territórios de Prosperidade. A proposta prevê polos de inovação, qualificação profissional, incubação de empresas e apoio às atividades econômicas das Regiões Administrativas.

Economia criativa, tecnologia, saúde, logística, agricultura, turismo e economia verde estão entre os setores mencionados. Cappelli também propõe o Banco do Povo, voltado à oferta de crédito produtivo para pequenos negócios e microempreendedores. Nos trechos analisados pelo Brasil de Fato DF, não foi encontrada uma proposta exclusiva para o Sol Nascente/Pôr do Sol.

Celina Leão apresenta propostas regionalizadas em áreas como transporte, saúde, infraestrutura, alimentação e regularização fundiária.

Entre elas estão a expansão do metrô para Ceilândia e Samambaia, a extensão da Linha 2 em direção ao Gama e a Tarifa Zero para a população de baixa renda. O programa também prevê ampliar os Restaurantes Comunitários para todas as Regiões Administrativas, fortalecer o Prato Cheio e criar ou modernizar feiras.

Na infraestrutura, são mencionadas ações de pavimentação, drenagem, iluminação, construção de calçadas e regularização fundiária. Segundo a análise da reportagem, não foi identificada, nos trechos consultados do programa, uma ação exclusiva para o Sol Nascente/Pôr do Sol.

Cultura, moradia e oportunidades entram nas cobranças

Além das propostas apresentadas pelas candidaturas, moradores e integrantes de movimentos sociais destacam demandas que consideram insuficientemente atendidas nas periferias.

Rayane Soares, do Jovem de Expressão, iniciativa que atua há mais de 17 anos em Ceilândia, aponta a necessidade de ampliar equipamentos culturais e espaços destinados às manifestações artísticas da juventude.

O projeto desenvolve atividades gratuitas relacionadas à saúde, terapia comunitária, prevenção à violência e ao uso de drogas. Para Rayane, também são necessárias políticas de permanência que permitam aos jovens de baixa renda continuar no ensino superior quando precisam conciliar estudo e trabalho.

Em Santa Maria, Paula Juliana relata que equipamentos culturais existentes nem sempre contam com estrutura e recursos suficientes. Segundo ela, algumas iniciativas dependem do trabalho voluntário dos próprios agentes culturais para continuar funcionando.

A moradia aparece como outra preocupação. André Tavares, do Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD), argumenta que o desafio não se limita à obtenção de uma casa, mas também envolve as condições financeiras necessárias para que famílias de baixa renda permaneçam no Distrito Federal.

Segundo Tavares, mesmo nas áreas periféricas mais distantes, aluguéis podem chegar a cerca de R$ 1,2 mil mensais. Ele também defende que obras de infraestrutura sejam planejadas para evitar a transferência de riscos ambientais e sociais para comunidades vulneráveis.

Como exemplo, menciona a Fazendinha, no Trecho 3 do Sol Nascente, onde demandas relacionadas a infraestrutura e transporte já foram registradas em documentos públicos.

As propostas dos candidatos apresentam diferentes caminhos para descentralizar serviços, empregos e investimentos. As manifestações dos moradores acrescentam outra dimensão ao debate: além da previsão nos programas eleitorais, eles cobram políticas públicas que tenham continuidade, recursos e resultados percebidos no cotidiano das Regiões Administrativas.

As medidas descritas fazem parte dos programas apresentados pelas candidaturas e não representam políticas já implementadas. Sua eventual execução dependerá do resultado eleitoral, das decisões administrativas, da disponibilidade orçamentária e, conforme o caso, da aprovação de medidas pelo Poder Legislativo.


🔍 Fonte: Brasil de Fato.

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