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Die Linke vence eleição em Berlim pela primeira vez e supera CDU de Merz

Elif Eralp (à esq.) e a copresidente nacional do A Esquerda, Ines Schwerdtner, sorriem durante evento, diante de um painel azul.
Elif Eralp (à esq.) e a copresidente nacional do A Esquerda, Ines Schwerdtner, em entrevista no dia seguinte às eleições estaduais, em Berlim | Crédito: Ralf Hirschberger/AFP

Partido A Esquerda alcançou 25,7% dos votos na capital alemã, enquanto a CDU ficou com 18,8%; formação do próximo governo dependerá de negociações para uma coalizão.

Ceilândia em Alerta – O partido A Esquerda (Die Linke) ficou em primeiro lugar nas eleições estaduais realizadas neste domingo (20) em Berlim, alcançando 25,7% dos votos, segundo os resultados preliminares. É a primeira vez que a legenda obtém a maior votação em uma eleição estadual na capital alemã.

A União Democrata Cristã (CDU), partido do chanceler Friedrich Merz, ficou em segundo lugar, com 18,8%, perdendo a posição de principal força política da cidade. A legenda governava Berlim em coalizão com o Partido Social-Democrata (SPD).

A Alternativa para a Alemanha (AfD) recebeu 16,3%, seguida pelos Verdes, com 14,3%, e pelo SPD, que registrou 12,1%.

O resultado praticamente dobrou a votação anterior do Die Linke e retirou a maioria parlamentar da coalizão formada por CDU e SPD. A vitória eleitoral, entretanto, não garante automaticamente ao partido o comando do governo de Berlim, já que será necessário formar uma maioria no Parlamento estadual.

Moradia esteve no centro da campanha

A principal candidata do Die Linke, Elif Eralp, de 45 anos, concentrou sua campanha no aumento do custo da moradia em Berlim, problema que classificou como uma das principais questões sociais da cidade.

Entre suas propostas está a transferência para controle público de grandes carteiras pertencentes a empresas imobiliárias, envolvendo aproximadamente 220 mil unidades habitacionais.

A medida tem origem em um referendo realizado em Berlim em 2021, quando cerca de 58% dos participantes apoiaram uma proposta de socialização de imóveis pertencentes a grandes grupos imobiliários.

A implementação nunca ocorreu e permanece objeto de divergências políticas, jurídicas e financeiras. O secretário-geral do SPD, Tim Klüssendorf, estima que uma operação dessa dimensão poderia custar aproximadamente 20 bilhões de euros.

Uma pesquisa do instituto Infratest Dimap citada pela Reuters indicou ainda que 37% dos entrevistados apoiavam atualmente a proposta.

Eralp afirmou após a eleição que pretende combater a especulação imobiliária e avançar com as medidas relacionadas à habitação apresentadas durante a campanha.

Filha de militantes de esquerda que deixaram a Turquia depois do golpe militar de 1980, Eralp nasceu em Munique. Caso consiga formar uma coalizão e seja escolhida para comandar o governo estadual, poderá se tornar a primeira pessoa de origem migrante a ocupar a prefeitura de Berlim.

SPD e Verdes sinalizaram disposição para negociar uma coalizão com o Die Linke. Os Verdes, porém, afirmaram que eventuais entendimentos dependerão também do enfrentamento de acusações de antissemitismo dirigidas a setores do partido em Berlim.

O Die Linke rejeita a existência de antissemitismo sistemático em suas fileiras e afirma se opor ao antissemitismo, ao racismo e a outras formas de discriminação.

AfD vence eleição no nordeste da Alemanha

No mesmo domingo, a Alternativa para a Alemanha (AfD) ficou em primeiro lugar nas eleições de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste alemão.

Segundo os resultados divulgados, a AfD obteve 38,2% dos votos, enquanto o SPD ficou com 35,5%.

A CDU registrou apenas 4,9%, ficando abaixo da cláusula de barreira de 5% necessária para representação parlamentar. O resultado representa o pior desempenho da legenda em uma eleição estadual no período posterior à Segunda Guerra Mundial.

Foi a segunda vez em menos de um mês que a AfD ficou em primeiro lugar em uma eleição estadual. Em 6 de setembro, a legenda também havia obtido a maior votação na Saxônia-Anhalt.

Apesar da votação em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a AfD não alcançou maioria suficiente para governar sozinha. Os principais partidos alemães mantêm a política de não formar coalizões com a legenda, o que torna a composição do próximo governo dependente das negociações entre as demais forças parlamentares.

A atual chefe de governo estadual, Manuela Schwesig, do SPD, poderá permanecer no cargo caso consiga formar uma maioria parlamentar.

Friedrich Merz classificou o desempenho da CDU nas eleições estaduais como um “desastre”, mas afirmou que pretende permanecer no cargo de chanceler e continuar seu programa de reformas.

Os resultados de Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental mostram perdas eleitorais dos partidos que tradicionalmente ocupam o centro político alemão, enquanto Die Linke e AfD ampliaram suas votações em contextos regionais distintos. Questões como custo da moradia, preços da energia, situação econômica e política externa tiveram presença relevante nas campanhas.


🔍 Fontes: Brasil de Fato; Reuters.

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