Pesquisa mostra ainda que 79% apoiam limites à publicidade das apostas online e 88% rejeitam a ideia de utilizar os jogos como forma de complementar a renda.
Ceilândia em Alerta – Uma pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada nesta quarta-feira (23), aponta que 75% dos brasileiros entrevistados concordam com a proibição das plataformas de apostas online, conhecidas como bets. Outros 17% discordam da medida e 8% não concordam nem discordam.
Entre os entrevistados, 71% disseram concordar totalmente com a proibição e outros 4% afirmaram concordar parcialmente. Em comparação com abril, quando 73% defendiam a medida, o percentual variou dois pontos para cima.
O levantamento ouviu 5.015 brasileiros adultos entre 17 e 22 de setembro. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi financiada pelo próprio instituto e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-04739/2026.
Publicidade e impostos também foram avaliados
A pesquisa mostra que a rejeição às apostas não se limita à possibilidade de proibição das plataformas. 79% dos entrevistados defendem algum tipo de limitação à publicidade das bets, sendo que 73% concordam totalmente e 6% parcialmente.
O levantamento também perguntou se as empresas do setor deveriam pagar mais impostos. Nesse caso, 84% concordaram com o aumento da tributação, enquanto 10% se manifestaram contrariamente e 6% não concordaram nem discordaram.
Outro resultado trata da utilização das apostas como alternativa para aumentar o orçamento doméstico. Segundo a pesquisa, 88% discordam da afirmação de que as apostas online podem ser uma forma de complementar a renda.
A percepção sobre os impactos sociais das bets também foi medida. Para 59,9% dos entrevistados, as apostas online trazem somente prejuízos à sociedade. Outros 28,6% avaliam que elas produzem mais prejuízos do que benefícios.
Somados, esses dois grupos representam 88,5% dos participantes da pesquisa. Outros 5,7% enxergam benefícios e prejuízos em proporções semelhantes, enquanto parcelas inferiores a 1% consideram que predominam ou existem apenas benefícios.
Governo discute novas regras para o setor
A divulgação da pesquisa ocorre no mesmo momento em que o governo federal discute mudanças na regulamentação das apostas online.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem defendido publicamente novas restrições ao setor. Segundo o Brasil de Fato, o governo avalia propostas para uma Medida Provisória que pode aumentar as limitações à publicidade e restringir determinados jogos, incluindo modalidades de cassino online.
Uma alternativa em discussão prevê medidas mais amplas contra as plataformas. O conteúdo definitivo, entretanto, dependerá da decisão do governo e da publicação formal da eventual Medida Provisória.
O tema também passou a integrar a campanha presidencial de 2026. Candidaturas apresentam propostas distintas, que incluem desde a proibição das plataformas até restrições de publicidade, aumento da fiscalização e mecanismos destinados a prevenir endividamento e problemas associados ao jogo.
Em julho, o Ministério da Fazenda já havia publicado regras determinando a inclusão de advertências em peças publicitárias do setor, destacando que apostas não devem ser apresentadas como investimento ou fonte de renda.
Os resultados da Atlas/Bloomberg registram a opinião dos entrevistados durante o período da pesquisa. Embora o levantamento mostre ampla concordância com restrições às bets, qualquer mudança nas regras depende das medidas adotadas pelo Executivo e, conforme o instrumento utilizado, da atuação do Congresso Nacional.
🔍 Fonte: Brasil de Fato.



