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Irã rejeita ameaças de Trump na ONU enquanto negociações com os EUA são retomadas

Três homens de terno durante coletiva, com o homem ao centro falando e gesticulando.
O secretário de Estado Marco Rubio, o secretário do Tesouro Scott Bessent e o enviado especial ao Oriente Médio Steve Witkoff na 81ª Assembleia Geral da ONU | Crédito: Chip Somodevilla/Getty Images/AFP

Representantes dos dois países voltaram a negociar em Nova York com mediação do Catar, mas não anunciaram acordo; Teerã mantém como condições o fim dos ataques e do bloqueio naval.

Ceilândia em Alerta – O Estado-Maior das Forças Armadas do Irã reagiu às declarações feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas e afirmou que as ameaças representam, na avaliação iraniana, um sinal de “impasse estratégico” de Washington. Paralelamente ao aumento da retórica entre os dois governos, representantes dos países retomaram conversas em Nova York para discutir uma possível saída para a guerra.

Em comunicado divulgado pela agência iraniana Tasnim, o comando militar classificou as declarações de Trump como hostis e afirmou que elas estariam direcionadas principalmente ao público interno norte-americano. O documento também acusa os Estados Unidos de contribuírem para a instabilidade no Oriente Médio.

As declarações representam a posição das Forças Armadas iranianas sobre o conflito e não uma avaliação independente da situação militar dos Estados Unidos.

Durante seu discurso na ONU, na terça-feira (22), Trump voltou a pressionar Teerã. O presidente norte-americano apresentou como alternativas um acordo que permita ao Irã reconstruir sua economia ou uma nova escalada militar contra a República Islâmica.

Trump também afirmou acreditar que um acordo poderá ser alcançado depois das eleições legislativas de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro.

Negociações são retomadas em Nova York

Apesar das declarações públicas dos dois lados, Estados Unidos e Irã retomaram contatos diplomáticos à margem da Assembleia Geral da ONU.

Foi a primeira rodada desse tipo desde o colapso do cessar-fogo firmado em junho. As negociações tiveram participação do Catar como mediador.

Existem versões diferentes sobre o formato das conversas. O enviado especial norte-americano Steve Witkoff afirmou que os mediadores circularam entre as delegações durante o dia.

Trump declarou posteriormente que Witkoff e Jared Kushner participaram de uma reunião de aproximadamente três horas relacionada às negociações e classificou as conversas como produtivas.

Autoridades iranianas, por sua vez, afirmaram que o diálogo ocorreu por intermédio do Catar. Segundo a Reuters, o chanceler iraniano Abbas Araghchi e os representantes norte-americanos se comunicaram por meio dos mediadores, sem uma negociação presencial direta entre as delegações.

A imprensa estatal iraniana chegou a divulgar inicialmente a existência de um encontro direto entre Araghchi e Witkoff, mas autoridades do país posteriormente esclareceram que a negociação ocorreu de forma indireta.

Nenhum acordo concreto foi anunciado após essa primeira rodada.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, afirmou que o país apresentou novamente suas condições para interromper o conflito.

Entre elas estão o fim da guerra em todas as frentes, a interrupção dos ataques norte-americanos, a suspensão do bloqueio naval aos portos iranianos e a liberação de ativos do país atualmente congelados.

Teerã também relaciona um eventual acordo ao encerramento dos ataques contra forças que integram o chamado “eixo da resistência”, incluindo o Hezbollah no Líbano.

Estreito de Ormuz continua no centro das negociações

Um dos principais pontos do impasse é o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio internacional de energia.

Antes do conflito, aproximadamente 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos mundialmente passavam pelo estreito. O fechamento da rota pelo Irã provocou impactos sobre o transporte marítimo e os preços internacionais da energia.

Segundo informações divulgadas antes das conversas em Nova York, Teerã admite reabrir Ormuz poucos dias depois de um eventual acordo, desde que os Estados Unidos reduzam a pressão militar e suspendam o bloqueio dos portos iranianos.

Washington, por sua vez, mantém sanções e pressiona pela reabertura da rota marítima. O governo norte-americano também relaciona uma solução diplomática a questões como o programa nuclear iraniano e o apoio de Teerã a grupos armados da região.

A guerra começou em fevereiro, com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Teerã respondeu com ofensivas contra Israel, instalações militares norte-americanas no Golfo e outros alvos na região.

Após um cessar-fogo temporário, as hostilidades foram retomadas. O conflito também se expandiu para outras frentes, envolvendo o Líbano e, mais recentemente, ataques dos houthis do Iêmen contra o transporte de petróleo da Arábia Saudita.

A retomada das negociações em Nova York representa a reabertura de um canal diplomático, mas as posições divulgadas pelos dois governos continuam distantes. Novas rodadas dependerão da mediação e da resposta de Washington às condições apresentadas por Teerã.


🔍 Fontes: Brasil de Fato; Reuters; Al Jazeera; Tasnim.

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