Ceilândia em Alerta — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (22), durante a abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, que o Brasil não aceitará interferências externas em suas decisões políticas. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, declarou, ao defender relações internacionais baseadas em soberania e cooperação.
Lula também criticou a divisão do mundo em áreas de influência, mencionou interferências estrangeiras em processos eleitorais e defendeu maior integração entre os países da América Latina. O discurso ocorreu às vésperas das eleições brasileiras de 2026 e incluiu referências à democracia, à segurança, aos conflitos internacionais, à economia digital e às apostas.
O presidente afirmou que o atual momento é um dos mais críticos para a diplomacia internacional nas últimas duas décadas e cobrou mudanças no funcionamento do Conselho de Segurança da ONU.
Críticas ao Conselho de Segurança
Lula afirmou que a organização enfrenta uma crise de credibilidade e criticou o que classificou como imobilismo do Conselho de Segurança.
“Desde que ocupei pela primeira vez esta tribuna, em 2003, este é o momento mais crítico das Nações Unidas”, disse.
Segundo o presidente, a estrutura atual do Conselho de Segurança não tem conseguido responder adequadamente aos conflitos internacionais. Lula defendeu uma reforma do sistema multilateral e maior participação dos países em desenvolvimento nas decisões globais.
A defesa do multilateralismo esteve entre os principais pontos do pronunciamento.
Soberania e integração da América Latina
Ao falar sobre a América Latina, Lula afirmou que diferenças ideológicas não devem impedir a aproximação entre os países da região.
O presidente também criticou o que chamou de “ingerência externa em processos eleitorais” e afirmou que a divisão do mundo em zonas de influência e as disputas por recursos estratégicos são práticas que não correspondem aos desafios atuais.
“O Brasil não cabe no quintal de ninguém. Precisamos de parceiros com uma agenda positiva, que fomente o desenvolvimento”, afirmou.
Lula também defendeu a autodeterminação dos países latino-americanos e mencionou a situação da Venezuela. O presidente afirmou que cabe ao povo venezuelano decidir seu próprio destino.
Em relação a Cuba, criticou o bloqueio econômico mantido pelos Estados Unidos e classificou a medida como uma forma de punição coletiva.
A questão da soberania nacional também foi relacionada por Lula à capacidade dos países de estabelecerem políticas próprias diante de interesses econômicos e estratégicos externos.
Lula defende autonomia brasileira nas eleições
Com as eleições brasileiras previstas para outubro, Lula afirmou que o país terá um processo eleitoral transparente e competitivo.
“Teremos um pleito transparente e competitivo, em que todos os candidatos desfrutam da mais ampla liberdade de expressão”, declarou.
O presidente também afirmou que alguns candidatos poderiam se associar a interesses estrangeiros que, segundo ele, seriam contrários ao país.
“Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular. A democracia brasileira pertence aos brasileiros”, disse.
A eleição de 2026 terá primeiro turno em 4 de outubro e eventual segundo turno em 25 de outubro, conforme o calendário eleitoral divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Combate ao crime organizado
Lula também dedicou parte do discurso ao combate ao crime organizado no Brasil.
O presidente afirmou que o governo reconhece a gravidade do problema e defendeu cooperação internacional para combater o fluxo de armas e dinheiro utilizado por organizações criminosas.
“O Brasil não subestima o desafio representado pelo crime organizado”, afirmou.
Ao mesmo tempo, Lula rejeitou a possibilidade de que potências estrangeiras assumam diretamente a responsabilidade pela segurança das fronteiras brasileiras.
“Não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo”, declarou.
Segundo o presidente, o Brasil apresentou ao governo dos Estados Unidos uma proposta de cooperação para combater organizações criminosas e mecanismos de lavagem de dinheiro.
Guerra e conflito no Oriente Médio
Lula também voltou a defender soluções diplomáticas para conflitos internacionais e criticou o uso da força militar.
“A guerra não é a continuação da política por outros meios. É a falência total da política”, afirmou.
Ao abordar o conflito no Oriente Médio, o presidente criticou as ações do governo de Benjamin Netanyahu na Faixa de Gaza e afirmou que gerações de palestinos carregarão as consequências da guerra.
Lula utilizou a expressão “genocídio” para se referir às ações do governo israelense em Gaza. A declaração faz parte da posição já manifestada pelo governo brasileiro sobre o conflito.
O tema das relações internacionais e dos conflitos também tem aparecido no debate político brasileiro, inclusive nas discussões sobre soberania e política externa.
Críticas às grandes empresas de tecnologia
Na área tecnológica, Lula criticou o poder concentrado nas grandes empresas do setor e defendeu regras para o desenvolvimento e utilização de novas tecnologias.
O presidente afirmou que existe o risco de uma espécie de “neoliberalismo digital” sem regras e transparência.
Segundo Lula, empresas de tecnologia conhecem os riscos associados a seus produtos, mas parte dos custos e consequências acaba sendo transferida para as famílias.
A declaração ocorre em meio ao debate internacional sobre inteligência artificial, plataformas digitais, proteção de dados e regulação das grandes empresas de tecnologia.
Defesa do Pix e críticas às bets
Lula também citou o Pix durante o discurso e afirmou que o Brasil não pretende aceitar pressões de empresas multinacionais para alterar o modelo de funcionamento do sistema de pagamentos.
“Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso Pix, uma infraestrutura de pagamentos pública e gratuita que fez da inclusão financeira uma realidade para milhões de brasileiros”, declarou.
O presidente também criticou o setor de apostas esportivas, conhecido como bets.
Lula afirmou que a indústria de apostas transforma o vício em fonte de lucro e pode contribuir para o endividamento e problemas financeiros das famílias.
O governo federal vem adotando medidas de regulação das bets, incluindo regras para publicidade e mecanismos de controle sobre empresas que operam no mercado brasileiro.
Ao concluir o discurso, Lula voltou a defender a cooperação internacional e a solução diplomática de conflitos. A fala na Assembleia Geral marcou a abertura da 81ª sessão do principal órgão deliberativo das Nações Unidas.
Fonte: Vermelho



