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Registros de racismo crescem em Minas e tema aparece nos planos de candidatos ao governo

Silhueta de mulher negra de perfil diante de uma projeção colorida que representa outra figura feminina.
De janeiro a julho de 2026, Minas Gerais contabilizou 194 casos de racismo consumado, contra 139 registros no mesmo período de 2025. | Crédito: Marcello Casal jr/Agência Brasil

Dados da segurança pública apontam aumento das ocorrências em 2026; programas registrados por Patrus Ananias, Alexandre Kalil, Cleitinho Azevedo e Mateus Simões apresentam abordagens diferentes sobre a questão racial.

Ceilândia em Alerta – Os registros de racismo e injúria racial aumentaram em Minas Gerais nos primeiros sete meses de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Dados do Observatório de Segurança Pública da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), apresentados pelo Brasil de Fato, mostram crescimento das ocorrências tanto no conjunto do estado quanto em Belo Horizonte.

Entre janeiro e julho deste ano, Minas Gerais registrou 194 ocorrências consumadas de racismo, ante 139 no mesmo período de 2025. A diferença representa aumento de aproximadamente 40%. Considerando todo o ano passado, foram contabilizados 276 registros.

Em Belo Horizonte, o número passou de 39 casos entre janeiro e julho de 2025 para 63 no mesmo intervalo de 2026, crescimento de aproximadamente 62%. A capital havia encerrado o ano passado com 83 ocorrências.

Os registros de injúria racial também aumentaram. Minas contabilizou 1.296 ocorrências consumadas nos sete primeiros meses deste ano, contra 1.198 no mesmo período de 2025, alta próxima de 8%. Em Belo Horizonte, os registros passaram de 211 para 254, crescimento de cerca de 20%.

Os números representam ocorrências registradas pelas autoridades de segurança pública e, portanto, não correspondem necessariamente à totalidade dos episódios de discriminação racial ocorridos no estado.

Questão racial aparece nos programas de governo

Em meio ao aumento dos registros, o Brasil de Fato analisou como o enfrentamento ao racismo aparece nos programas apresentados por Patrus Ananias (PT), Alexandre Kalil (PDT), Cleitinho Azevedo (Republicanos) e Mateus Simões (PSD), quatro candidatos destacados no levantamento eleitoral citado pela reportagem.

O programa de Patrus Ananias trata raça e gênero como recortes transversais das políticas públicas. Entre as medidas apresentadas está a criação de um Plano Estadual de Promoção da Igualdade Racial, com metas relacionadas ao enfrentamento do racismo e à valorização da história, memória e cultura afro-brasileira e indígena.

Na segurança pública, o programa de Patrus prevê uma política estadual voltada à violência contra a juventude negra. Também são mencionadas medidas para enfrentar desigualdades raciais no mercado de trabalho e políticas de saúde direcionadas a territórios vulneráveis da população negra e comunidades quilombolas.

O plano de Alexandre Kalil aborda desigualdades raciais em áreas como saúde, educação, cultura, emprego e desenvolvimento social. Uma das propostas é incorporar informações sobre raça e cor à avaliação das políticas públicas, permitindo acompanhar seus efeitos sobre diferentes grupos da população.

Na saúde, Kalil propõe considerar disparidades raciais no planejamento estadual, incluindo saúde materna, doenças crônicas e mortalidade evitável. O programa também prevê ações relacionadas à permanência escolar, combate ao preconceito e ao bullying e valorização de manifestações culturais afro-mineiras e quilombolas.

Letramento racial e ausência de menções específicas

O programa de Cleitinho Azevedo apresenta a proposta de criação do programa “Letramento Racial e Enfrentamento às Discriminações”, associado ao chamado Observatório Mineiro da Igualdade.

A iniciativa é apresentada no eixo social do plano e tem como objetivo promover respeito à diversidade e enfrentar práticas discriminatórias. O documento também aborda manifestações religiosas dentro de propostas relacionadas ao turismo e ao patrimônio histórico e cultural mineiro.

Segundo a análise realizada pelo Brasil de Fato, porém, o programa não apresenta uma seção específica destinada à liberdade religiosa ou ao enfrentamento da intolerância religiosa.

No caso de Mateus Simões, a reportagem afirma não ter localizado, nas partes analisadas de seu programa de governo, menções específicas aos termos raça, racismo, população negra ou liberdade e intolerância religiosa.

Essa constatação se refere ao conteúdo documental examinado pela reportagem e não permite, isoladamente, concluir como uma eventual administração de qualquer um dos candidatos executaria políticas relacionadas ao tema.

As propostas registradas durante uma campanha representam compromissos apresentados ao eleitorado. Sua eventual implementação depende, entre outros fatores, do resultado das eleições, das decisões administrativas, da disponibilidade orçamentária e, em determinadas medidas, da aprovação de legislação.


🔍 Fonte: Brasil de Fato.

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