Fundação Bradesco determinou que estudantes utilizem exclusivamente os bebedouros da unidade; responsáveis questionam decisão adotada em meio às altas temperaturas e à baixa umidade no Distrito Federal.
Ceilândia em Alerta – Uma determinação da Fundação Bradesco, em Ceilândia, proibindo estudantes de entrar ou permanecer na escola com garrafas e copos de uso individual provocou preocupação entre pais e responsáveis. A medida entrou em vigor na segunda-feira (28), justamente em um período marcado por calor intenso e umidade extremamente baixa no Distrito Federal.
O comunicado havia sido enviado às famílias na sexta-feira (25). Segundo o aviso, a hidratação dos estudantes passaria a ser feita exclusivamente nos bebedouros disponibilizados pela unidade.
A escola justificou no próprio bilhete que a mudança buscava garantir a organização, a segurança dos estudantes e o funcionamento da rotina escolar. Pais ouvidos pelo Metrópoles, entretanto, afirmaram que procuraram a direção para entender melhor os motivos da proibição e receberam a informação de que a determinação teria partido da sede da Fundação Bradesco, em São Paulo.
A decisão coincidiu com condições meteorológicas severas. Na segunda-feira, Brasília registrou 35,5°C, maior temperatura observada em setembro na série histórica da estação do Inmet localizada no Sudoeste, enquanto a umidade chegou a 14%. Na terça-feira (29), o Distrito Federal registrou índice ainda menor, de 11%.
Pais questionam condições dos bebedouros
Entre as principais preocupações apresentadas pelos responsáveis estão as condições de utilização dos bebedouros e a possibilidade de os estudantes reduzirem o consumo de água.
Uma mãe relatou ao Metrópoles considerar a medida inadequada do ponto de vista sanitário. Segundo os responsáveis, os equipamentos disponíveis possuem torneiras utilizadas pelos estudantes não apenas para beber água, mas também para lavar rosto e braços.
Os pais argumentam que crianças menores podem encostar a boca nos equipamentos, aumentando a preocupação com a higiene e o compartilhamento indireto.
Também houve reclamações de que a água oferecida não seria refrigerada. Uma das mães afirmou que a filha possui histórico de cálculo renal e, por isso, precisa manter uma rotina adequada de hidratação.
De acordo com os responsáveis, a escola informou que os professores poderão liberar os estudantes durante as aulas para utilizar os bebedouros. As famílias questionam, porém, como essa dinâmica funcionará em turmas numerosas e se o deslocamento constante poderá interferir nas atividades.
Uma alternativa sugerida pelos próprios pais seria permitir ao menos garrafas transparentes, facilitando a fiscalização do conteúdo levado pelos alunos.
Relato menciona possível motivo para proibição
Uma das responsáveis afirmou ter ouvido relatos de que estudantes mais velhos estariam levando bebidas alcoólicas para dentro da escola utilizando garrafas individuais.
A informação, contudo, não foi confirmada pela instituição na reportagem. A mãe argumentou que eventual comportamento irregular de alguns estudantes poderia ser tratado individualmente, sem impedir que todos levassem recipientes para água.
A preocupação com a hidratação ganha importância durante períodos de baixa umidade. Em orientações divulgadas anteriormente para situações de seca intensa no Distrito Federal, autoridades educacionais e de saúde já recomendaram o consumo frequente de água e atenção especial a crianças e adolescentes.
O Metrópoles informou que procurou a assessoria de imprensa da Fundação Bradesco para obter esclarecimentos sobre os motivos da decisão. Até a publicação da reportagem, a instituição não havia apresentado resposta, e o espaço permanecia aberto para manifestação.
🔍 Fonte: Metrópoles.



