Governo iraniano condiciona retomada da navegação ao fim do bloqueio naval, à suspensão de operações militares e à liberação de recursos financeiros congelados no exterior.
Ceilândia em Alerta – O governo do Irã anunciou, nesta segunda-feira (2), uma proposta para reabrir o Estreito de Ormuz em até 48 horas e retomar as negociações diplomáticas com os Estados Unidos. A medida, entretanto, depende da aceitação de condições apresentadas por Teerã, incluindo o encerramento do bloqueio naval norte-americano, a suspensão de sanções econômicas e o fim das operações militares na região. Até o anúncio, Washington não havia confirmado a aceitação das exigências iranianas.
A proposta representa uma tentativa de reduzir as tensões entre os dois países, após meses de confrontos militares e dificuldades nas negociações. O Estreito de Ormuz, localizado entre o Irã e Omã, é uma das principais rotas marítimas utilizadas para o transporte internacional de petróleo e gás natural.
O bloqueio da passagem, mantido pelo Irã desde o início do conflito militar em fevereiro de 2026, tornou-se um dos principais pontos de disputa com os Estados Unidos. A região também registra episódios de ataques contra embarcações que tentam atravessar o estreito sem autorização das autoridades iranianas.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que a reabertura poderá ocorrer rapidamente caso as reivindicações do país sejam atendidas. Segundo ele, as conversas com os mediadores internacionais continuam, mas um entendimento definitivo depende de decisões do governo norte-americano.
Irã exige fim do bloqueio naval e suspensão de sanções
A nova proposta foi detalhada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei. Ele explicou que o plano poderá ser executado em dois dias, desde que as condições estabelecidas por Teerã sejam aceitas previamente.
Entre as principais exigências estão o encerramento das operações militares em todas as frentes, o fim do bloqueio naval dos Estados Unidos aos portos iranianos, o desbloqueio de recursos financeiros mantidos no exterior e a suspensão das sanções contra o setor petrolífero do país.
O governo iraniano também defende a adoção de uma nova rota de navegação pelo Estreito de Ormuz, estabelecida em acordo com Omã. A proposta pretende reorganizar o trânsito de embarcações e estabelecer condições de segurança para a circulação marítima.
Outra reivindicação apresentada por Araghchi é a redução da presença militar norte-americana no Oriente Médio. O ministro também mencionou a necessidade de suspender sanções adicionais impostas ao Irã desde agosto.
As condições fazem parte de uma negociação mais ampla sobre o encerramento do conflito e a retomada das relações diplomáticas entre os dois países.
A proposta atual é uma versão modificada de um plano de sete etapas apresentado pelo Irã em setembro. Na formulação anterior, a reabertura do estreito estava prevista para o sexto dia após o atendimento das exigências, enquanto a retomada das negociações ocorreria no sétimo.
Com as mudanças anunciadas nesta semana, Teerã afirma que poderá executar as medidas em apenas dois dias, caso exista um acordo.
Catar e Paquistão participam das negociações diplomáticas
As conversas entre Irã e Estados Unidos continuam sendo realizadas principalmente por intermédio de representantes do Catar e do Paquistão, países que atuam na transmissão de propostas e mensagens entre os governos.
O vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kazem Gharibabadi, esteve em Doha, capital do Catar, para participar das articulações diplomáticas e facilitar a comunicação com Washington.
Uma delegação iraniana deixou o país no domingo (1º), após reuniões com representantes cataris. Segundo informações divulgadas pela agência Reuters, a saída não significou necessariamente o encerramento das negociações.
Uma minuta de entendimento continua circulando entre as partes, e uma nova reunião poderá ocorrer nos próximos dias. Entretanto, ainda não existe confirmação de um acordo definitivo.
O governo iraniano considera que as questões relacionadas ao bloqueio naval, às sanções econômicas e à segurança regional precisam ser resolvidas antes da retomada das negociações sobre seu programa nuclear.
Os Estados Unidos, por outro lado, defendem que o tema nuclear seja incluído desde o início das conversas. Essa diferença de posições representa um dos principais obstáculos para o avanço diplomático.
Trump mantém possibilidade de novos ataques militares
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou a proposta iraniana apresentada em setembro e ainda não anunciou a aceitação do novo plano.
Nos últimos dias, Trump voltou a mencionar a possibilidade de novas operações militares contra o Irã, embora tenha afirmado que não pretende realizar ataques antes das eleições legislativas norte-americanas de 3 de novembro.
As declarações provocaram uma resposta das autoridades iranianas, que advertiram sobre possíveis consequências de uma nova ofensiva.
O governo de Teerã afirma que qualquer ataque contra seu território receberá uma resposta militar, enquanto mantém a disposição de negociar por meio dos canais diplomáticos existentes.
Reabertura de Ormuz pode reduzir pressão sobre o comércio internacional
O Estreito de Ormuz possui importância estratégica para o mercado energético mundial. Antes da guerra, aproximadamente um quinto do petróleo consumido no planeta passava pela região, conectando produtores do Golfo Pérsico aos mercados internacionais.
As restrições à navegação aumentam os riscos para o abastecimento e podem provocar oscilações nos preços internacionais do petróleo, com consequências para diferentes economias.
A reabertura da passagem, caso seja acompanhada de garantias de segurança, poderá contribuir para reduzir parte dessas pressões. Entretanto, a normalização do transporte marítimo dependerá das condições efetivas de circulação e da estabilidade militar.
Por enquanto, a proposta iraniana permanece condicionada à resposta dos Estados Unidos. As negociações seguem abertas, mas ainda não há confirmação de que o bloqueio será encerrado ou de que as duas partes chegaram a um entendimento sobre o conflito.
Fonte: Brasil de Fato
Fonte complementar: CNN Brasil



