Deputado brasileiro participou de encontros com lideranças peronistas e gravou mensagem para o “Exército do Peronismo”, iniciativa inspirada na mobilização digital utilizada na campanha de Lula.
Ceilândia em Alerta – O deputado federal André Janones (Rede-MG) esteve em Buenos Aires, na Argentina, nesta segunda-feira (2), para participar de encontros com importantes lideranças da oposição ao presidente Javier Milei. O parlamentar brasileiro se reuniu com a ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner e com o ex-ministro da Economia Sergio Massa para discutir estratégias de comunicação e mobilização política nas redes sociais, tendo como referência a experiência do chamado “Exército do Lula”, utilizado durante a campanha presidencial brasileira de 2026.
A viagem acontece em meio às articulações do peronismo para as eleições presidenciais argentinas, previstas para outubro de 2027. O objetivo dos encontros foi compartilhar experiências sobre a organização de apoiadores em plataformas digitais e avaliar a possibilidade de adaptar ao cenário argentino as estratégias empregadas na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Janones ganhou projeção nacional e internacional após organizar um canal de WhatsApp que reuniu mais de 10 milhões de seguidores durante o segundo turno das eleições brasileiras. A iniciativa incentivava a participação dos integrantes em ações coordenadas de divulgação de conteúdos, compartilhamento de vídeos e mobilização nas redes sociais.
Cristina Kirchner e Sergio Massa articulam oposição para 2027
Durante sua passagem pela Argentina, Janones encontrou Cristina Kirchner, que atualmente cumpre prisão domiciliar e está impedida de exercer cargos públicos em razão de uma condenação judicial.
A ex-presidente contesta a decisão e afirma ser vítima de perseguição política. Ela pretende recuperar seus direitos políticos e não descarta disputar novamente a Presidência argentina, caso consiga reverter sua inelegibilidade.
O deputado brasileiro também se reuniu com Sergio Massa, ex-ministro da Economia e candidato presidencial derrotado por Javier Milei em 2023.
Massa é apontado como um dos possíveis nomes do peronismo para enfrentar o atual presidente nas eleições de 2027. Entretanto, sua eventual candidatura depende de negociações internas, uma vez que o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, também é considerado um possível concorrente à indicação da oposição.
A disputa entre diferentes lideranças representa um dos desafios para a reorganização do peronismo, movimento político que reúne correntes distintas e possui influência histórica na política argentina.
Os encontros contaram ainda com a participação dos publicitários brasileiros Chico Kertesz e Rafael Marroquim, que trabalharam na campanha de Lula. Ambos foram sócios do atual ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Sidônio Palmeira.
A presença dos profissionais reforça o interesse dos dirigentes argentinos em compreender como a mobilização digital brasileira foi organizada e quais ferramentas poderiam ser utilizadas em uma campanha eleitoral na Argentina.
“Exército do Peronismo” busca reproduzir mobilização brasileira
Durante a viagem, André Janones gravou um vídeo em espanhol destinado ao canal “Ejército del Peronismo”, criado para reunir apoiadores da oposição argentina.
Na gravação, o parlamentar incentivou os participantes a se organizarem politicamente e afirmou esperar que a vitória eleitoral de Lula sirva de inspiração para os movimentos progressistas argentinos.
Segundo a reportagem do Brasil de Fato, o canal já reunia aproximadamente 70 mil seguidores no WhatsApp e 19,7 mil no Instagram.
A iniciativa utiliza uma linguagem semelhante à adotada pelo “Exército do Lula”, com referências a missões digitais, participação coletiva e compartilhamento coordenado de conteúdos.
No Brasil, a estratégia foi utilizada para ampliar a circulação de mensagens favoráveis à candidatura de Lula durante a disputa presidencial contra Flávio Bolsonaro (PL).
Um levantamento da empresa de pesquisa Ipse Global, divulgado pelo Brasil de Fato, comparou a mobilização digital do grupo de Janones com a iniciativa adversária denominada “Tropa do Flávio”.
De acordo com o estudo, o canal ligado a Lula ultrapassou 10,5 milhões de integrantes, enquanto o grupo opositor chegou a aproximadamente 2 milhões.
A análise também identificou diferenças na velocidade de resposta às convocações digitais. O tempo médio registrado no grupo de Janones foi de 3,4 minutos, enquanto o canal adversário apresentou média de 13 horas e 17 minutos.
Os números descrevem o desempenho observado nas plataformas analisadas, mas não permitem determinar isoladamente o peso dessas ações no resultado eleitoral.
Estratégia brasileira desperta interesse internacional
A experiência do “Exército do Lula” passou a despertar interesse de movimentos políticos de outros países, especialmente entre organizações de esquerda que procuram ampliar sua presença nas redes sociais.
Além da Argentina, iniciativas semelhantes surgiram na França e na Espanha, utilizando canais de WhatsApp para organizar apoiadores e divulgar mensagens políticas.
A expansão desse modelo demonstra a importância crescente das plataformas digitais nas campanhas eleitorais e na comunicação entre lideranças e eleitores.
Entretanto, a reprodução de uma estratégia utilizada em outro país não garante resultados semelhantes. Diferenças culturais, institucionais e políticas podem influenciar a participação dos usuários e a recepção das mensagens.
Na Argentina, a oposição também enfrenta o desafio de construir uma candidatura competitiva e estabelecer uma agenda comum entre as diferentes correntes do peronismo.
A visita de Janones ocorre nesse contexto de reorganização política, enquanto Cristina Kirchner, Sergio Massa e outras lideranças discutem alternativas para a eleição presidencial de 2027.
Os encontros representam uma aproximação entre integrantes dos campos políticos brasileiro e argentino, mas não significam a formalização de uma aliança entre governos ou a definição de uma candidatura presidencial.
Fonte: Brasil de Fato
Fontes complementares: Folha de S.Paulo | CNN Brasil



