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MPT pede R$ 1 milhão de deputada eleita do PL por incentivar demissão de eleitores de Lula

Jessica Ramos Moreno, conhecida como Jessicão, é alvo de ação civil pública após publicação que estimulava empresários a dispensar trabalhadores petistas; parlamentar nega discriminação política.

Ceilândia em Alerta – O Ministério Público do Trabalho no Paraná (MPT-PR) ajuizou, nesta sexta-feira (6 de novembro), uma ação civil pública contra a deputada estadual eleita Jessica Ramos Moreno (PL), conhecida como Jessicão, por suspeita de incentivo à discriminação política no ambiente de trabalho. O órgão pede indenização de R$ 1 milhão por danos morais coletivos e a retirada de publicações que estimulam a demissão de trabalhadores por suas preferências eleitorais.

A iniciativa ocorre após a parlamentar divulgar, em 25 de outubro, dia do segundo turno das eleições presidenciais, mensagens na rede social X incentivando empregadores a dispensar funcionários identificados como apoiadores do Partido dos Trabalhadores (PT). A publicação ocorreu depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e provocou uma série de denúncias encaminhadas ao Ministério Público.

Segundo o MPT-PR, mais de 100 denúncias foram recebidas especificamente em relação à postagem da deputada eleita. O conteúdo alcançou aproximadamente um milhão de visualizações, ampliando a preocupação do órgão com a possibilidade de estimular práticas discriminatórias nas relações de trabalho.

Ministério Público aponta violação de direitos fundamentais

Na publicação questionada judicialmente, Jessicão utilizou a expressão “demita o mal” e defendeu que empresários rompessem vínculos empregatícios com trabalhadores petistas. A mensagem também incentivava o boicote a estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços que manifestaram apoio ao presidente Lula.

Para o Ministério Público do Trabalho, esse tipo de manifestação ultrapassa os limites do debate político e pode incentivar empregadores a utilizar a preferência partidária como critério para contratar, manter ou dispensar funcionários.

A ação sustenta que a conduta ameaça direitos fundamentais dos trabalhadores e contraria o princípio constitucional da dignidade da pessoa humana. O órgão também solicita a retirada de outros conteúdos que possam estimular práticas semelhantes de discriminação política.

Caso a Justiça acolha o pedido de indenização, o MPT pretende que os recursos sejam destinados a fundos públicos ou programas voltados à proteção dos direitos trabalhistas.

A ação civil pública é um instrumento jurídico utilizado para defender interesses coletivos. Diferentemente de uma reclamação trabalhista individual, ela permite questionar condutas que possam prejudicar um conjunto de trabalhadores, mesmo quando não existe uma vítima específica identificada.

Até a publicação desta reportagem, não havia decisão judicial sobre os pedidos apresentados pelo MPT. Portanto, a indenização solicitada ainda não constitui uma condenação.

Denúncias de assédio eleitoral aumentam 227% no Paraná

O caso ocorre em meio ao crescimento das denúncias de assédio eleitoral no estado. De acordo com levantamento divulgado pelo MPT-PR na quarta-feira (4), foram registrados 465 relatos de assédio eleitoral ou demissões por motivação política.

Antes do segundo turno das eleições, o órgão contabilizava 142 denúncias. Após a votação, foram recebidos mais 323 registros, representando um aumento aproximado de 227%.

O Ministério Público também investiga manifestações do deputado estadual eleito Guilherme Kilter (Novo), que incentivou publicamente a demissão de trabalhadores identificados com o PT.

As denúncias mostram a preocupação das autoridades com a utilização de relações de poder econômico para constranger trabalhadores em razão de suas escolhas políticas.

A legislação brasileira proíbe práticas discriminatórias que prejudiquem o acesso ou a permanência no emprego. A Lei nº 9.029/1995 estabelece mecanismos de proteção contra discriminações nas relações de trabalho.

Dependendo das circunstâncias, uma dispensa discriminatória pode resultar em reintegração ao emprego ou pagamento de indenizações, além de outras consequências jurídicas.

Deputada nega discriminação e defende liberdade de expressão

Em manifestação anterior sobre o caso, Jessicão negou que tivesse incentivado discriminação política e afirmou defender a liberdade de expressão.

A parlamentar foi eleita deputada estadual pelo Paraná com 131.673 votos. Antes da eleição, exercia mandato de vereadora em Londrina, onde ganhou projeção por propostas relacionadas a temas educacionais e sanitários.

Entre suas iniciativas esteve uma lei municipal que proibia a utilização de linguagem neutra em escolas e concursos públicos, posteriormente considerada inconstitucional pela Justiça.

A defesa da parlamentar deverá ser considerada no andamento do processo, respeitando o direito ao contraditório e à ampla defesa.

Trabalhadores podem denunciar perseguição por posicionamento político

O assédio eleitoral no trabalho ocorre quando empregadores ou pessoas em posição de autoridade utilizam sua influência para pressionar, ameaçar ou constranger trabalhadores em razão de escolhas eleitorais.

A prática pode envolver ameaças de demissão, imposição de apoio a candidatos, perseguições e outras formas de retaliação política.

Trabalhadores que enfrentarem situações semelhantes podem procurar o Ministério Público do Trabalho, os sindicatos de suas categorias ou os órgãos de fiscalização trabalhista.

As denúncias também podem ser encaminhadas pelos canais oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego, incluindo a Central 158.

A ação contra Jessicão reforça o debate sobre os limites da liberdade de expressão quando manifestações públicas incentivam práticas que podem comprometer direitos fundamentais.

O desfecho do processo dependerá da análise da Justiça do Trabalho, que deverá avaliar os argumentos apresentados pelo Ministério Público e pela defesa da deputada eleita.


Fonte: Brasil de Fato

Fontes complementares: Agência Brasil | Gazeta do Paraná

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