Ceilândia em Alerta — Pelo menos 25 pessoas ficaram desabrigadas após o forte temporal que atingiu o Distrito Federal na tarde de quarta-feira (16). Samambaia, Planaltina e Arapoanga foram algumas das regiões mais afetadas pela chuva intensa, que veio acompanhada de granizo e rajadas de vento. Segundo os órgãos de segurança do DF, cerca de 180 ocorrências foram registradas, incluindo quedas de árvores, desabamentos de muros e destelhamentos.
O temporal provocou danos em residências, comércios e estruturas públicas. Em Arapoanga, pelo menos seis casas ficaram inabitáveis. O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) registrou 62 ocorrências relacionadas às chuvas entre as 15h de quarta-feira e as 8h de quinta-feira (17).
A situação levou equipes do governo a reforçarem o atendimento às famílias atingidas. A Defesa Civil realiza vistorias técnicas nos imóveis afetados e, como medida preventiva, 14 propriedades foram temporariamente interditadas até que sejam feitas as intervenções necessárias e uma nova avaliação determine as condições de segurança.
O episódio também reforça a importância dos cuidados durante o período de chuvas no DF. O Jornal TaguaCei já mostrou como a Defesa Civil atua em situações de emergência e orienta a população sobre os canais de atendimento e os alertas preventivos.
Governo acompanha áreas atingidas
Na manhã de quinta-feira (17), a governadora Celina Leão visitou áreas atingidas em Planaltina e Arapoanga. Segundo ela, as equipes foram mobilizadas para garantir acolhimento, alimentação, medicamentos e assistência social aos moradores prejudicados.
Em Samambaia, as equipes também permaneceram em campo para vistoriar imóveis e prestar atendimento à população.
A Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF) mobilizou duas equipes da Unidade de Proteção Social 24 Horas (UPS 24h) para Arapoanga, região apontada como uma das mais atingidas. Até o momento, 27 famílias, totalizando 68 pessoas, haviam sido atendidas pelas equipes.
Os profissionais fizeram o levantamento das necessidades dos moradores e encaminharam as famílias para benefícios socioassistenciais e outros serviços da rede pública.
Casas e estruturas foram destruídas
Em Arapoanga, a queda de árvores, principalmente eucaliptos, atingiu imóveis, muros e a rede elétrica. A administração regional montou uma força-tarefa para identificar as famílias que precisam de assistência e verificar quais imóveis podem ser ocupados com segurança.
Além do acolhimento, a Administração Regional de Arapoanga passou a receber doações de materiais de construção, como telhas e calhas, para ajudar na recuperação das casas danificadas.
A mobilização ocorre em um cenário que exige atenção às áreas de risco durante o período de chuvas no DF, especialmente em locais sujeitos a alagamentos, enxurradas, deslizamentos e outros problemas provocados por temporais.
Famílias relatam momentos de medo
Moradores de Arapoanga e Planaltina relataram momentos de desespero durante a tempestade.
A dona de casa Eucirlene da Silva, 34 anos, estava em casa com o marido, Cleiton dos Santos, 36, e as duas filhas quando o telhado foi atingido pela chuva. As crianças precisaram ser retiradas do quarto pouco antes de uma das telhas cair no local onde estavam.
A família perdeu móveis e precisou buscar abrigo na casa de uma vizinha. A possibilidade de permanecer em um abrigo também passou a ser considerada diante das condições da residência.
Em Planaltina, Daiane Barbosa da Silva, 36, também procurou ajuda depois que o telhado da casa foi destruído pelo granizo. Mãe de cinco filhos, ela estava com três deles durante a tempestade.
Segundo Daiane, as pedras de gelo aumentaram de tamanho rapidamente e as telhas começaram a se movimentar. Ao sair da residência, ela viu o muro da casa desabar.
Outro morador, Francisco Diogo, 32, contou que precisou se esconder debaixo da pia com a mulher e os três filhos enquanto observava telhas e galhos sendo levados pelo vento. A família deixou o imóvel e seguiu para a casa da sogra, em Planaltina.
Oficina teve muro derrubado
Na Avenida Erasmo de Castro, em Arapoanga, o muro de uma oficina mecânica desabou por volta das 17h40 de quarta-feira. Cinco carros e uma motocicleta foram atingidos, mas ninguém ficou ferido.
O mecânico Diego Lopes, 29, estava no estabelecimento com outros quatro trabalhadores e três clientes quando a estrutura caiu. O grupo correu para fora da oficina com receio de que o teto também desabasse.
O proprietário do estabelecimento, Felipe Lima, 30, afirmou que os prejuízos foram grandes, mas destacou que ninguém ficou ferido.
Possibilidade de novas chuvas
Segundo o meteorologista Mércio Dantas, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), ainda havia possibilidade de chuva de granizo no DF na quinta-feira (17), embora a tendência fosse de redução da instabilidade nos dias seguintes.
O meteorologista explicou que a combinação entre temperaturas elevadas e aumento da umidade favoreceu a formação de nuvens convectivas, responsáveis por pancadas intensas e granizo.
O período também corresponde à transição entre o inverno e a primavera, quando ainda ocorre alternância entre a massa de ar seco e a entrada de umidade.
Orientações durante temporais
O Corpo de Bombeiros recomenda que a população evite áreas alagadas, tanto a pé quanto de carro. A água pode esconder buracos, bueiros abertos e outros obstáculos, além de apresentar força suficiente para arrastar veículos e pessoas.
Também é importante manter distância de árvores, postes e estruturas que possam cair durante rajadas de vento.
Em caso de fios de energia rompidos, a orientação é não tocar nos cabos ou em superfícies metálicas próximas e manter distância do local. A população também não deve tentar retirar árvores ou galhos que estejam em contato com a rede elétrica.
Imóveis que tenham sofrido destelhamentos ou apresentem rachaduras, paredes inclinadas, muros instáveis ou outros sinais de comprometimento devem ser evacuados quando houver risco. O retorno só deve ocorrer depois de uma avaliação técnica.
Durante tempestades com raios, a recomendação é evitar campos abertos, árvores isoladas, estruturas metálicas e locais sujeitos a alagamentos.
Telefones de emergência
Corpo de Bombeiros Militar do DF: 193
Defesa Civil: 199
A Defesa Civil também oferece alertas preventivos por SMS. Para receber avisos sobre chuvas fortes e outros eventos climáticos, o morador pode enviar gratuitamente o CEP de interesse para o número 40199.
Fonte: Correio Braziliense



