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Guarda Costeira dos EUA intercepta petroleiro perto da Venezuela

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Embarcação de bandeira do Panamá transportava petróleo cru para a Ásia. Secretária de Segurança Interna diz que operações prosseguirão. Ex-diretor da PDVSA vê tentativa de levar Maduro à queda

Pela segunda vez em menos de duas semanas, os Estados Unidos interceptaram mais um petroleiro nas costas da Venezuela. As primeiras informações eram de que a embarcação, de bandeira do Panamá, transportava petróleo cru para a Ásia. A intercepção ocorreu quatro dias depois de o presidente Donald Trump anunciar um “bloqueio total e completo a todos os petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela”.

De acordo com o jornal The New York Times, o petroleiro abordado por homens da Guarda Costeira, neste sábado (20/12), não estaria na lista de navios sancionados pelo Departamento do Tesouro. Fontes da indústria petrolífera venezuelana sustentam que o petroleiro pertenceria a uma empresa chinesa que comercializa petróleo, a qual teria uma longa história de transportar petróleo venezuelano para a China.

O incidente, somado a declarações da véspera do secretário de Estado americano, eleva a tensão no Mar do Sul do Caribe e na América Latina. Na sexta-feira (19/12), Marco Rubio disse que o status quo atual com o regime venezuelano é “intolerável” para os Estados Unidos. Neste sábado (20), a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, confirmou a nova interceptação. “Os EUA continuarão a perseguir o movimento ilícito de petróleo sancionado usado para financiar o narcoterrorismo na região. Nós acharemos vocês, e nós os deteremos”, avisou.

“Frota obscura”

Para o analista político Pedro Mario Burelli, ex-diretor da estatal venezuelana de petróleo PDVSA, o que ocorre com os navios petroleiros sancionados não é um bloqueio. “Trata-se de embarcações que transportam barris de petróleo para a China. O problema é que, para traficarem o produto, elas violam todas as normas marítimas internacionais, e utilizam bandeiras ilegais, não usam transponders (localizadores) e tratam de mudar suas posições. Fazem parte de uma frota obscura, secreta, encarregada de ajudar os países sancionados — Rússia, Irã e Venezuela — a escapar dessas sanções”, explicou ao Correio.

“O que os Estados Unidos estão fazendo é garantir o cumprimento das sanções. Não o fizeram antes, o que me parece surpreendente. O objetivo dos EUA é cortar a cabeça da estrutura que usurpa o poder na Venezuela — de um grupo narcoterrorista. É óbvio que o objetivo dos EUA é uma mudança de regime.”

Burelli não acredita em uma invasão terrestre à Venezuela. “O presidente Donald Trump deixou isso bem claro. Segundo a doutrina militar, os Estados Unidos querem mostrar que possuem a maior força armada do mundo e que estão dispostos a utilizá-la para defender seus interesses”, disse o ex-diretor da PDVSA. “Trump planeja a saída de Nicolás Maduro e de seus lugares-tenentes mais importantes.

Yon Goicoechea, advogado, especialista em direito energético e membro da oposição a Maduro, concorda que o bloqueio naval anunciado por Trump tem o objetivo de intensificar a pressão para que o regime de Nicolás Maduro negocie sua saída do poder. “Não sei se os americanos estão dispostos a realizar ações militares dentro do território venezuelano. Até acho que, sim, mas prefeririam que houvesse uma negociação para que Maduro saia de forma pacífica”, disse ao Correio o vencedor do Prêmio Sakharov para a Liberdade do Pensamento, em 2017.

Goicoechea acredita que os EUA tentam evitar uma invasão à Venezuela. “Há sinais de que, se essa pressão não funcionar, Trump poderá colocar seus soldados na Venezuela”, observou. Ele alertou que a economia venezuelana está fragilizada, com uma escalada inflacionária desde 2024. O analista não descarta que o bloqueio naval leve a uma escassez de alimentos no país, o que pode intensificar a pressão sobre Maduro. 

Originalmente publicado em Correio Braziliense

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