Ualid Rabah afirma que a composição do novo Parlamento israelense mantém obstáculos à autodeterminação palestina, apesar do avanço dos partidos árabes e das dificuldades enfrentadas por Netanyahu.
Ceilândia em Alerta – O reconhecimento de um Estado palestino independente e a mudança de posição de parte da sociedade israelense seriam fundamentais para construir um caminho de paz no Oriente Médio. A avaliação é de Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), que analisou os resultados das eleições parlamentares realizadas em Israel em 27 de outubro. Em entrevista ao programa Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o dirigente afirmou que o crescimento da representação árabe no Parlamento não é suficiente, por si só, para alterar a política israelense em relação aos territórios palestinos.
O resultado eleitoral ampliou a presença dos partidos árabes no Knesset, o Parlamento de Israel, que possui 120 cadeiras. As legendas de representação palestina conquistaram 19 assentos, enquanto os demais partidos permanecem divididos entre o bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e as forças de oposição.
Apesar das dificuldades enfrentadas por Netanyahu para formar uma maioria parlamentar, Rabah considera que a possibilidade de mudança de governo não significa necessariamente uma transformação na política israelense em relação à Palestina.
Segundo ele, a maior parte das legendas israelenses mantém posições vinculadas ao sionismo, embora existam diferenças importantes entre suas propostas, lideranças e estratégias políticas.
Representação palestina cresce, mas enfrenta limites políticos
Na avaliação do presidente da Fepal, a composição do novo Parlamento demonstra a importância do voto da população árabe e palestina que possui cidadania israelense.
Rabah destacou que os palestinos representam aproximadamente 21% a 23% da população de Israel, constituindo uma parcela significativa da sociedade e do eleitorado.
Ele relacionou as 19 cadeiras conquistadas pelos partidos árabes à mobilização desses eleitores, mas ressaltou que a representação parlamentar continua insuficiente para formar uma maioria capaz de defender mudanças estruturais na política em relação à Palestina.
O dirigente argumenta que mesmo setores da oposição a Netanyahu não defendem necessariamente a criação de um Estado palestino plenamente soberano. Segundo sua interpretação, algumas forças políticas admitem negociações territoriais, mas preservam propostas que limitariam a autonomia palestina.
A análise também aborda a ocupação da Cisjordânia, a expansão dos assentamentos israelenses e as restrições impostas à Faixa de Gaza, questões que permanecem centrais nas disputas políticas e diplomáticas.
Para Rabah, a formação de uma coalizão contrária a Netanyahu precisa ser examinada não apenas pela capacidade de retirar o primeiro-ministro do poder, mas também pelas posições de seus integrantes sobre os direitos nacionais palestinos.
Oposição a Netanyahu não significa consenso sobre a Palestina
As eleições deixaram os principais blocos políticos sem maioria suficiente para governar isoladamente. Nesse cenário, as negociações entre partidos tornam-se decisivas para a formação do próximo governo.
A participação das legendas árabes pode ter importância nessas articulações, mas enfrenta resistências de setores que rejeitam alianças com representantes políticos palestinos.
Rabah considera que essa resistência revela uma contradição: partidos que se opõem ao atual primeiro-ministro podem, ao mesmo tempo, compartilhar posições semelhantes às do governo sobre questões fundamentais do conflito.
A avaliação do dirigente é uma interpretação política apresentada na entrevista e não representa uma posição uniforme de toda a sociedade israelense ou de seus partidos.
Mudança de posição da sociedade israelense seria decisiva para a paz
Um dos principais argumentos apresentados por Ualid Rabah é que a construção da paz dependeria de uma mudança significativa entre os eleitores judeus de Israel.
Para ilustrar sua avaliação, ele afirmou que, se 40% dos judeus israelenses concordassem com a existência de um Estado palestino, haveria condições para alcançar a paz.
O percentual foi utilizado pelo dirigente como parte de seu raciocínio político sobre a composição parlamentar, e não como resultado de uma pesquisa de opinião ou garantia de que um acordo seria alcançado.
A defesa de dois Estados, Israel e Palestina, é uma das propostas historicamente discutidas em negociações internacionais. Sua implementação, entretanto, envolve questões complexas, como fronteiras, segurança, assentamentos, Jerusalém e o direito de retorno dos refugiados palestinos.
A Fepal defende o reconhecimento de um Estado palestino soberano e independente, com Jerusalém como capital, além do direito de retorno dos refugiados e do fim da ocupação dos territórios palestinos.
A entidade, fundada em 1979, representa comunidades de origem palestina no Brasil e participa de iniciativas políticas e culturais relacionadas aos direitos do povo palestino.
Política dos Estados Unidos também influencia o conflito
Durante a entrevista, Rabah analisou a influência dos Estados Unidos sobre a política israelense e os possíveis efeitos das eleições legislativas norte-americanas.
O dirigente avalia que uma eventual perda de força parlamentar do presidente Donald Trump poderia provocar mudanças em sua estratégia internacional, inclusive no Oriente Médio.
Ele também manifestou preocupação com a possibilidade de uma escalada militar envolvendo o Irã e advertiu sobre os riscos humanitários e ambientais de um confronto de maiores proporções.
Essas declarações expressam projeções e preocupações do entrevistado, não a confirmação de decisões militares ou de acontecimentos futuros.
O debate sobre o novo Parlamento israelense ocorre em um momento de incerteza política e de continuidade das divergências sobre a criação de um Estado palestino.
Para o presidente da Fepal, a substituição de Netanyahu, embora possa modificar a condução do governo, não seria suficiente para resolver o conflito sem mudanças mais profundas na forma como os direitos e a autodeterminação dos palestinos são reconhecidos.
A discussão reforça a importância da representação política, das negociações diplomáticas e do respeito ao direito internacional na busca por uma solução duradoura para israelenses e palestinos.
Fonte: Brasil de Fato
Fonte complementar: Federação Árabe Palestina do Brasil – Fepal



